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Renault Boreal acumula prêmios, mas não decola em vendas; g1 testou e mostra prós e contras

Renault Boreal na versão Techno Carlos Cereijo / g1 O Renault Boreal chegou em 2025, enfileirou alguns prêmios e criou expectativa de um novo capítulo para a marca junto com o irmão Kardian. O SUV mostrou que a marca francesa conseguiu dar um salto de qualidade, mas as vendas são tímidas. Hoje é vendido nas versões Evolution por R$ 179.990, Techno de R$ 199.990 e Iconic por R$ 214.990. Entre janeiro e agosto de 2026, a Renault emplacou 7.633 unidades do Boreal. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp No mesmo período, a Jeep vendeu 36.341 Compass. E a Toyota conseguiu vender 25.564 Corolla Cross, mesmo ainda sentindo as consequências do acidente na fábrica de Porto Feliz (SP) no final de 2025. Até o Jaecoo 7 da Omoda&Jaecoo conseguiu ultrapassar o Boreal com 11.769 unidades vendidas. Sendo que mais que 7 mil desses SUVs importados da China são da versão mais barata, Elite, que custa R$ 189 mil. Nos últimos meses, a Renault fez promoções para o Boreal com bônus de até R$ 22 mil e incluiu o modelo na estratégia do Move Aplicativos com descontos para taxistas e motoristas de aplicativo. O g1 testou a versão Techno para descobrir os pontos positivos e negativos do Boreal. Será que o SUV é uma boa opção? Vale a pena aproveitar os descontos? Renault lança Koleos no Brasil e quer clientes de SUVs chineses Conforto anestesiado O Renault Boreal utiliza a Renault Group Modular Platform, conhecida como RGMP. A arquitetura foi desenvolvida para ser utilizada em veículos de diferentes tamanhos e segmentos e permite trabalhar com diferentes configurações de carroceria e sistemas de propulsão. No Boreal, a suspensão dianteira é do tipo McPherson e a traseira utiliza eixo de torção. A estrutura traseira permite a instalação de uma barra estabilizadora interna de 30 mm. A direção elétrica também está integrada à lógica da plataforma. A assistência pode ser modificada de acordo com o modo de condução escolhido, ficando mais leve no Comfort e mais firme no Sport. Galerias Relacionadas O Boreal tem uma personalidade que é comum a vários SUVs modernos. As marcas abandonaram a ideia de que esses veículos precisam transmitir robustez. Ao contrário, a ideia é um carro grande, alto, mas com comandos e sensação de conforto. O resultado é uma direção elétrica anestesiada e que aposta na assistência variável para criar sensações. No modo esportivo, a firmeza extra é só uma lembrança de como deve ser um carro divertido de dirigir. E a Renault sabe muito bem acertar a direção de um esportivo, mesmo sem custar os R$ 200 mil. O finado Sandero RS é um exemplo perfeito de esmero em acerto. A suspensão foi calibrada, segundo a Renault, para combinar dirigibilidade e conforto. Esse trabalho foi finalizado pela equipe de engenharia da Renault Tecnologia Américas no Autódromo Oscar Cabalén, na Argentina. O Boreal tem conjunto que precisa equilibrar o centro de massa mais alto e as rodas de 18 polegadas. O SUV chega a um resultado interessante para o dia a dia. Cabine do Renault Boreal na versão Techno Carlos Cereijo / g1 Tecnologia A arquitetura eletrônica da RGMP foi preparada para receber diferentes sistemas e tecnologias de assistência ao motorista, além de soluções de segurança e gerenciamento de energia. Outro recurso associado à arquitetura eletrônica é o Multi-Sense, que permite selecionar cinco modos de condução: Eco, Comfort, Sport, Personal e Smart. A seleção pode ser feita pela tela multimídia ou por um comando giratório no console central. Os modos modificam diferentes características do veículo: Resposta do pedal do acelerador; Esforço da direção; Informações exibidas no painel; Iluminação interna. No Smart, esses parâmetros são adaptados automaticamente por algoritmos que alternam entre as configurações Eco, Comfort e Sport. Motor 1.3 turbo do Renault Boreal foi desenvolvido em parceria com a Daimler, dona da marca Mercedes-Benz Carlos Cereijo / g1 Motor e câmbio O Renault Boreal tem motor 1.3 turbo TCe flex e a transmissão automática de dupla embreagem de seis marchas banhada a óleo. Desenvolvido em parceria com a Daimler, o propulsor é produzido no Brasil, em São José dos Pinhais (PR). O motor entrega 163 cv e 27,5 kgfm de torque. De acordo com dados do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) do Inmetro, o Boreal registrou: Gasolina: 11,2 km/l na cidade e 13,6 km/l na estrada. Etanol: 7,8 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada. A transmissão possui modos de condução Sport, Eco e My Sense, além de recursos eletrônicos integrados. A função creeping permite que o carro inicie o movimento suavemente ao soltar o pedal do freio, facilitando manobras e rodagem em congestionamentos. No Boreal, isso ajuda em manobras em baixa velocidade, pois o câmbio não “salta” quando a embreagem acopla ao tentar, por exemplo, estacionar. O veículo dispõe ainda de assistente de partida em rampas (HSA) e freio de estacionamento eletrônico inteligente, que gerencia a sincronização da posição P para evitar trancos. Equipamentos Por fora, a configuração Techno do Boreal tem rodas de 18 polegadas com desenho Mountain e acabamento preto. Também fazem parte da versão as barras longitudinais no teto, a antena do tipo shark e os faróis de neblina. A cabine tem duas telas de 10 polegadas. O painel de instrumentos digital pode apresentar a reprodução do mapa de navegação, enquanto a tela central reúne as funções de entretenimento e conectividade. Na Techno, a central utiliza os serviços do Google integrados ao sistema. Estão disponíveis Google Maps, Google Play e Google Assistant, além de mais de 100 aplicativos. Galerias Relacionadas O Google Maps pode ser utilizado diretamente pela central, com informações de trânsito em tempo real e atualizações automáticas. Já o Google Assistant permite utilizar comandos de voz para funções como navegação, música e chamadas, e também para determinadas funções do veículo, como o ar-condicionado. A Techno tem ainda ar-condicionado automático digital de duas zonas, com saídas de ar para os ocupantes traseiros. O console central é elevado e possui um compartimento refrigerado. Há quatro portas USB-C, duas na dianteira e duas na traseira, além de carregador de celular por indução. Os bancos dianteiros da versão têm ajustes elétricos e regulagem lombar para motorista e passageiro. O porta-malas tem capacidade para 522 litros. Com os bancos traseiros rebatidos, o volume chega a 1.279 litros. A base do compartimento fica em uma posição que facilita o acesso à área de carga. A iluminação ambiente é outro recurso da Techno. O sistema permite escolher entre 48 cores e pode trabalhar em conjunto com os modos de condução. Galerias Relacionadas A vida a bordo do Boreal é boa. O volante com botões físicos e tamanho correto facilita a vida do motorista. Mesmo com telas grandes, os controles de ar-condicionado e modos de condução estão no painel e console, fáceis de acessar. A manopla de câmbio singela e tímida comete o mesmo pecado de manoplas de carros como o Porsche 911. São menores e mais chatas de operar, e não liberam espaço no console central. Pelo menos tem bastante espaço no banco traseiro, o que é bom. A cabine é bem construída e distancia o Boreal do primo, o Kwid. Talvez esteja aí um dos desafios do SUV. Prometer uma experiência premium numa marca conhecida pelo apelo racional dos carros populares. Segurança Nesta versão, o Boreal conta com seis airbags, sendo dois frontais, dois laterais e dois de cortina. Entre os sistemas de assistência estão: Controle de velocidade adaptativo; Alerta de distância segura; Alerta de permanência em faixa; Alerta de ponto cego; Frenagem automática de emergência (que funciona também em curvas); Reconhecimento de placas de velocidade; Limitador de velocidade. A Techno também conta com alerta de saída segura dos ocupantes. O sistema utiliza os radares laterais traseiros para identificar a aproximação de veículos antes que uma porta seja aberta. Outro recurso é o alerta de tráfego cruzado traseiro, que monitora a aproximação de veículos, motos ou bicicletas durante manobras de ré. O conjunto inclui ainda sensores de estacionamento dianteiros, laterais e traseiros e câmera de ré. A Techno também pode utilizar câmera 360 graus. O sistema reúne quatro câmeras para criar uma visão dos arredores do veículo e auxiliar nas manobras em espaços apertados. O Boreal possui ainda assistente de estacionamento semiautônomo. Com o auxílio das câmeras e dos radares, o sistema pode assumir os movimentos necessários para realizar determinadas manobras de estacionamento. Há também assistente de partida em rampa e sensor de fadiga, que monitora o comportamento do motorista e pode emitir alertas quando identifica sinais de cansaço ou desatenção. Renault Boreal na versão Techno Carlos Cereijo / g1 Bom produto A conclusão é que o Boreal é um SUV com os predicados certos, mas que chega num momento de mercado em transição. O cliente brasileiro nessa faixa dos R$ 200 mil já espera que os carros sejam híbridos e com uma outra experiência a bordo. O g1 já mostrou que seminovos entre R$ 100 mil e R$ 200 mil estão com quedas fortes nos preços por conta dos carros chineses e dos descontos das marcas tradicionais. Também pesa para a Renault o fato de que a marca francesa nunca conseguiu emplacar modelos caros no Brasil. Sempre performou bem com Sandero ou Duster, mas o SUV compacto era o teto de preço que o brasileiro, na maioria, estava disposto a pagar. Não é à toa que a Renault rapidamente se mexeu para criar uma aliança com a Geely no Brasil. Os franceses parecem ter entendido que seria mais eficiente apresentar a marca chinesa, emplacar suas novidades com preço maior e entrar neste segmento sem ter de levar o legado da Renault. Se o cliente for mais tradicional e não quiser levar um híbrido, o Boreal pode ser uma alternativa. A dica seria aproveitar os descontos e se planejar para ficar mais tempo com o SUV. Isso ajudaria a evitar o derretimento do preço no mercado de seminovos num prazo de dois a três anos. Renault Boreal Techno: R$ 199.990 Assentos: 5 Comprimento: 4,56 m Largura: 1,84 m Altura: 1,65 m Entre-eixos: 2,70 m Porta-malas: 522 litros (VDA) Peso: 1.423 kg Rodas: 18 polegadas Pneus: 225/55 R18 Suspensão dianteira: Independente, do tipo McPherson Suspensão traseira: Eixo de torção com barra estabilizadora, rodas semi-independentes Freios dianteiros: Discos ventilados Freios traseiros: Discos sólidos Direção: Elétrica Motor: Dianteiro, 1.3 turbo flex, quatro cilindros em linha, 16 válvulas e injeção direta Combustível: flex Potência: 163 cv com etanol e 156 cv com gasolina Torque: 27,5 kgfm com etanol ou gasolina Câmbio: Automático de dupla embreagem Marchas: 6 Tração: Dianteira 0 a 100 km/h: 9,5 segundos com etanol e 9,8 segundos com gasolina Velocidade máxima: 180 km/h, limitada eletronicamente Gasolina: 11,2 km/l na cidade e 13,6 km/l na estrada. Etanol: 7,8 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada. Tanque de combustível: 50 litros
Efeito China: preços dos 25 carros usados mais buscados no Brasil em 2026 caem até 15%

Carros seminovos caíram de preço mais do que o registrado na tabela Fipe Divulgação Como mostrou o g1 neste mês, o mercado de seminovos no Brasil tem sofrido com a enxurrada de carros chineses e as promoções dos carros zero km. Agora, os dados mostram que os preços efetivamente praticados no mercado de usados caem de forma mais acentuada do que indica a tabela Fipe, elaborada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. Um levantamento da Auto Avaliar, feito com exclusividade para o g1, mostra que todos os 25 carros usados mais buscados do Brasil caíram de preço nos últimos 12 meses, em uma média de 10,2%. A Fipe mostra uma média de apenas 4%. Desvalorização no preço de venda ao consumidor em agosto 2026: Jeep Compass: -15,7% Jeep Renegade: -13,8% Chevrolet Tracker: -13,5% Ford Ranger: -11,8% Toyota Corolla Cross: -11,8% VW Nivus: -11,2% Fiat Pulse: -10,5% Toyota Hilux: -10,3% Chevrolet Onix: -10,1% Honda Civic: -10,1% Hyundai Creta: -10% Honda HR-V: -9,9% Nissan Kicks: -9,7% Fiat Strada: -9,6% VW T-Cross: -9,5% Toyota Corolla: -9,3% VW Polo: -9,3% Fiat Toro: -9,3% Honda City: -9,2% VW Virtus: -8,6% Hyundai HB20S: -8,5% Toyota Yaris: -7,9% Fiat Argo: -7,2% Hyundai HB20: -7% Renault Kwid: -6,8% 🔎 A Auto Avaliar é uma plataforma em que mais de 27 mil lojistas compram e vendem automóveis. Existem mais de 6 mil concessionárias cadastradas, o que corresponde a 85% do segmento. O levantamento de preços feito para o g1 cobre sete anos-modelo, de 2019 a 2025. A distribuição: 26% são carros de 0 a 2 anos, 29% de 3 a 4 anos e 45% de 5 a 7 anos. São 30 mil combinações de modelo/versão/ano/estado só nos 25 carros. 'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos Distorção da tabela O estudo da Auto Avaliar mostra que existe um atraso entre o que o mercado está praticando nas vendas e o que a tabela Fipe informa. Todos os 25 modelos têm esta distorção entre tabela e preço praticado na transação. Segundo J.R. Caporal, presidente da Auto Avaliar, esse fenômeno acontece porque a Fipe compila dados de anúncios e com certa defasagem de tempo. “O nosso banco de dados mostra o quanto o lojista pagou pelo carro e por quanto ele fechou a venda”, explica o executivo. Dessa maneira, explica Caporal, é possível ver de maneira imediata como o mercado se comporta na reacomodação dos preços. A tabela Fipe faz um levantamento somente de preços anunciados. No gráfico abaixo é possível perceber como a tabela Fipe registra queda nos preços, mas o valor de queda percentual mapeado pela Auto Avaliar é maior. Desvalorização de carros mais buscados Arte/g1 Segundo José Éverton Fernandes, presidente da Federação Nacional dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), é preciso entender que a tabela Fipe demora a mostrar ajustes. “Na Fipe, a gente olha para um retrovisor. São dados de quatro semanas atrás e que provocam essa sensação de preços praticados fora da realidade”, explica. De acordo com Fernandes, os lojistas e o mercado estavam acostumados com uma demanda grande de clientes e pouca oferta de carros. Hoje, segundo o presidente da Fenauto, há uma reacomodação do mercado. Esse choque de realidade aparece quando se compara o preço anunciado pelo lojista e quanto realmente o cliente pagou para levar o carro para casa. Veja abaixo alguns exemplos. Diferença entre preço de anúncio e valor pago na venda. g1 Outro fenômeno que os dados mostram é como os 25 carros “queridinhos” do mercado de usados já não conseguem ser vendidos acima da tabela Fipe. Esse valor que ultrapassa o praticado no mercado é chamado de ágio. O ágio era até então um dos principais argumentos de compra desses modelos no mercado de zero km e também da valorização deles no mercado de usados. Com o recuo das tabelas praticadas nos automóveis novos, os preços dos seminovos passaram por um processo de ajuste proporcional. O presidente da Fenauto afirma que essa movimentação não representa um cenário de crise no setor automotivo, mas sim uma busca natural por equilíbrio entre a quantidade de veículos ofertados e a capacidade de compra do mercado. Fim do ágio na compra de seminovos g1 Analisando os números, é possível perceber que, em agosto de 2025, 1 em cada 3 seminovos “queridinhos” era vendido acima da Fipe. Já em agosto de 2026, o valor caiu para irrisórios 0,8%. A situação é ainda mais clara nos seminovos com menos de 2 anos. Nesse caso, mais de 67% dos carros em agosto de 2025 eram vendidos com ágio. Isso caiu em 2026 para só 2%. Esse é um movimento claro do comportamento dos clientes, que estão abrindo mão de carros seminovos com baixa quilometragem e procurando as promoções dos chineses e dos zero km. Com o preço certo O levantamento exclusivo do g1 mostra que os 25 queridinhos passam pouco tempo no estoque da loja. Essa métrica é importante, pois mostra o quanto um veículo é desejado e, por isso, sai logo do pátio da loja para a garagem do cliente. A média do mercado é de 18 dias e todos os 25 veículos estão abaixo da média. Veja o ranking de quantidade de dias que o carro passa no estoque (modelos de 2020 a 2026). VW Polo: 3 dias VW Virtus: 5 dias VW T-Cross: 5 dias Hyundai HB20: 6 dias Fiat Argo: 6 dias Chevrolet Tracker: 6 dias Chevrolet Onix: 6 dias Hyundai HB20S: 7 dias Fiat Strada: 7 dias Hyundai Creta: 8 dias Nissan Kicks: 9 dias Jeep Renegade: 9 dias VW Nivus: 10 dias Renault Kwid: 10 dias Jeep Compass: 11 dias Honda HR-V: 11 dias Honda Civic: 11 dias Fiat Pulse: 12 dias Toyota Hilux: 13 dias Fiat Toro: 13 dias Toyota Yaris: 15 dias Toyota Corolla: 15 dias Ford Ranger: 15 dias Honda City: 16 dias Toyota Corolla Cross: 18 dias * O cálculo usa uma mediana de dados da Auto Avaliar em setembro de 2026. Toyota Corolla Cross demora hoje, em média, 18 dias para sair do pátio da loja de seminovos. Rafael Leal/g1 Caporal ressalta que os veículos estocados há mais tempo foram comprados em um contexto de preços mais elevados. Diante disso, para girar o estoque e concretizar as vendas, os lojistas precisam realizar ajustes para baixo e absorver margens menores. “O lojista precisa entender que é o momento de vender ganhando menos e voltar ao mercado para comprar estoque no preço certo e buscar de novo a margem”, explica Caporal. Efeito China Queda é influenciada pela chegada de marcas chinesas e pelos descontos dados pelas fabricantes tradicionais. Crédito mais restrito também dificulta as negociações. Para a consultora Tereza Fernandez, a queda dos preços dos seminovos está se consolidando em 2026. A chegada de marcas chinesas e a redução de preços promovida pelas fabricantes tradicionais aumentaram a pressão sobre os veículos usados. Segundo Tereza, lojas que mantêm estoques elevados podem ter prejuízos com a desvalorização. O impacto, porém, depende da capacidade de cada vendedor de reduzir rapidamente os preços e limitar as perdas. A consultora não vê uma crise no segmento de lojas de carros usados. Para ela, o efeito da queda dependerá da velocidade da desvalorização, do tamanho da redução dos preços e da quantidade de veículos mantidos em estoque. “Lojas que têm estoques muito grandes podem enfrentar problemas mais sérios com a desvalorização.” A queda dos preços também afeta o consumidor que pretende trocar de carro. Quem vende um seminovo encontra valores menores na hora da venda, mas também pode comprar outro veículo usado por um preço mais baixo. Por isso, Tereza avalia que não deve haver uma mudança significativa nesse tipo de negociação. O principal impacto estaria na compra de um carro zero km, que passa a depender dos descontos oferecidos pelas montadoras. A consultora ressalta que não é possível generalizar o comportamento do mercado. Outro fator que dificulta as negociações é a inadimplência, que levou os bancos a adotar critérios mais rígidos e dificultou o acesso ao crédito. Para Cássio Pagliarini, da Bright Consulting, a maior confiança do consumidor também ajuda a explicar a queda dos preços dos seminovos. Com mais confiança, parte dos clientes que antes comprava veículos usados passa a considerar a aquisição de um carro novo. Nesse cenário, os modelos chineses ganham espaço, segundo o consultor. “A maioria desses carros chineses já entrega eletrificação, tecnologia e um tempo de garantia que dá segurança ao cliente”, diz o consultor. Para Pagliarini, a mudança já afeta o cenário para os lojistas. Os problemas podem ser maiores para quem mantém grandes quantidades de seminovos, veículos que antes eram comprados em volume justamente por apresentarem boa liquidez. O mercado também mudou em relação aos veículos eletrificados, de acordo com o consultor. Ele afirma que ficou para trás o período em que esses modelos tinham menor poder de revenda e permaneciam por mais tempo nos estoques. Pagliarini estima que o mercado de veículos em 2026 possa chegar perto de 3 milhões de unidades. Na avaliação dele, o resultado poderia ser maior se houvesse condições melhores de financiamento. O principal obstáculo, porém, está na aprovação do crédito. Segundo o consultor, embora exista demanda, a dificuldade de conseguir financiamento limita os negócios neste momento. Nenhum dos especialistas entrevistados pelo g1 conseguiu prever até quando essa reacomodação dos preços deve acontecer.
Diesel sobe e atinge maior preço no Brasil desde maio, diz ANP

Começa a valer fim de subsídio ao diesel O preço médio do diesel S-10 nos postos do Brasil subiu 2,3% nesta semana em relação à anterior, para R$ 7,13 por litro, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgado nesta sexta-feira (18). Esse é o maior valor desde o fim de maio. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A alta ocorre em meio à disparada dos preços do petróleo e de seus derivados neste mês. O mercado enfrenta novos riscos para a oferta mundial por causa dos desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia. 🔎 O diesel chegou a voltar a ser mais barato que a gasolina entre 2 de agosto e 12 de setembro. Preços dos combustíveis nos postos em 2026 arte/g1 Petrobras aumenta Diesel em R$ 1 A Petrobras informou que aumentou em R$ 1 por litro o preço de venda do diesel A para as distribuidoras. Na prática, porém, o aumento não deve alterar o preço cobrado pela estatal, devido a um novo subsídio do governo federal no mesmo valor. Entenda mais: Petrobras aumenta diesel em R$ 1, mas reajuste será neutralizado por subsídio do governo O benefício terá validade de 30 dias. Segundo a Petrobras, com a medida, o preço de venda do combustível pela empresa às distribuidoras permanecerá inalterado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou na semana passada uma medida provisória que autoriza uma subvenção de R$ 1 por litro para o diesel. O benefício se soma ao subsídio de R$ 1,12 por litro que já está em vigor e vale até 26 de setembro. Assim, durante o período em que as duas medidas estiverem em vigor, o valor total da subvenção ao diesel chegará a R$ 2,12 por litro. Governo destina R$ 6,6 bi à produção e importação de combustíveis O governo federal publicou MP no Diário Oficial da União que autoriza gastos de R$ 6,6 bilhões para manter subsídios à produção e importação de combustíveis por conta da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã – que tem pressionado os preços. A maior parte dos recursos (R$ 5,6 bilhões) irá para a subvenção à produção e importação de óleo diesel. Outro R$ 1 bilhão cita subsídios a combustíveis derivados de petróleo, incluindo a gasolina. Entenda mais: Governo destina R$ 6,6 bilhões em subsídios à produção e importação de combustíveis; guerra no Oriente Médio elevou preços Os recursos foram liberados por meio de crédito extraordinário, ou seja, estão fora dos limites de despesas do arcabouço fiscal, a regra para as contas públicas. Segundo o governo, a medida funciona como uma espécie de “cashback” para compensar a retomada da cobrança dos tributos federais sobre o diesel. *Com informações da Reuters ANP afirma que abastecimento de diesel no Brasil está garantido até fim de abril Jornal Nacional/ Reprodução