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MPF quer suspender gasolina com 32% de etanol e cobra R$ 500 milhões em indenização; entenda

Conselho aprova aumento de etanol na gasolina de 30% para 32% O Ministério Público Federal (MPF) entrou com um pedido liminar nesta quarta-feira (22) para suspender a decisão do governo que aumenta a mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A ação civil pública tem como objetivo impedir a adoção do E32, nome dado à gasolina com 32% de etanol, até que estudos técnicos comprovem que a nova mistura é segura para os veículos. O MPF também pede que a União seja condenada a pagar R$ 500 milhões por danos coletivos. (entenda mais abaixo) 🔎 O E32 foi aprovado pelo CNPE em junho e faz parte da política do governo para ampliar o uso de biocombustíveis e reduzir a dependência da gasolina importada. Segundo o MPF, a alteração foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) "sem a devida análise de impacto e sem demonstrar cientificamente a viabilidade da medida para a frota nacional". O documento argumenta que a União utilizou estudos realizados com a mistura anterior, de 30% de etanol, para justificar o aumento, considerando a margem de tolerância de até dois pontos percentuais prevista nos testes. Para o MPF, esses ensaios tinham como objetivo "avaliar o desempenho e a dirigibilidade dos veículos, considerando a margem de tolerância da especificação daquele combustível" e, portanto, não foram realizados para validar a adoção permanente da mistura de 32% de etanol na gasolina. A ação também sustenta que os ensaios utilizados pelo governo federal não apresentaram conclusões sobre: Durabilidade; Emissões; Autonomia; Compatibilidade com as diversas tecnologias na frota; Comportamento da nova mistura em uso contínuo. A especificação da gasolina E32 permite que o combustível vendido nos postos contenha até 34% de etanol. Segundo o MPF, essa possibilidade não passou por validação técnica específica. O MPF ainda diz que "há evidências de que o aumento do etanol na gasolina pode provocar corrosão em peças metálicas, desgaste prematuro de bombas e falhas em sistemas de injeção eletrônica, especialmente em motocicletas, veículos antigos e modelos importados". Indenização de R$ 500 milhões O MPF também argumenta que a decisão não considerou adequadamente os possíveis impactos ambientais da medida e pede uma indenização de R$ 500 milhões por danos coletivos. Segundo o órgão, faltam estudos que avaliem os efeitos do desgaste acelerado de componentes dos veículos. O argumento é que, embora o etanol emita menos poluentes, a substituição mais frequente de peças poderia aumentar o descarte de borracha, metal e plástico. Além da suspensão do aumento da mistura de etanol, o MPF pede que a Justiça determine a realização de uma perícia técnica independente para avaliar os riscos aos motores e ao meio ambiente. A ação também solicita a adoção de protocolos mais rigorosos para futuras alterações na composição dos combustíveis. "O Estado brasileiro não pode impor à coletividade a utilização de combustível com composição diversa sem demonstrar, de forma clara, objetiva e tecnicamente consistente, que a medida foi precedida de estudos suficientemente abrangentes", diz o procurador da República Cleber Eustáquio Neves, autor da ação. Entenda a decisão do governo O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidiu no dia 14 de julho aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%. A medida tem validade inicial de 180 dias, mas pode ser prorrogada uma vez por igual período. A decisão, segundo o CNPE, considera a volatilidade no mercado de petróleo e combustíveis. "Nesse contexto, a utilização de uma maior parcela de etanol produzido no país busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e possibilitar a maior presença desse biocombustível na matriz energética brasileira", justificou o conselho, em nota Os preços do petróleo subiram e atingiram o maior nível em cerca de quatro semanas, depois que a tensão entre Estados Unidos e Irã voltou a aumentar. O mercado teme que o conflito prejudique o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de energia do mundo. Por que o petróleo está subindo? O principal motivo é o temor de interrupções no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Antes do conflito, cerca de 20% de todo o petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passavam por essa rota. Nos últimos dias, a região voltou a registrar episódios que aumentaram a preocupação dos investidores. Medida vinha sendo estudada A medida de aumentar o volume de etanol na gasolina vinha sendo discutida por integrantes do governo nos últimos meses. Especialistas, no entanto, avaliam que a medida pode aumentar o risco de desgaste em motores mais antigos ou sem calibração específica para essa mistura. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já havia defendido a realização de mais estudos antes da implementação da medida. (veja mais abaixo) Segundo engenheiros, um dos principais desafios é a compatibilidade dos materiais, especialmente em veículos importados ou mais antigos, projetados para rodar apenas com gasolina e desenvolvidos para teores menores de etanol. O CNPE refutou, ainda, que a mistura possa causar danos aos automóveis. "No percurso dos testes, foram analisados aspectos como desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo de combustível e emissões, tanto em ambiente laboratorial quanto em condições reais de uso. De acordo com os resultados, a utilização do E32 apresentou comportamento equivalente ao observado com misturas de menor teor de etanol, sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive aqueles equipados com motores não flex", complementou nota do colegiado, formado por ministros e sociedade civil. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) também diz que o setor tem capacidade para atender à demanda adicional e que a medida pode reduzir a importação de gasolina e ampliar o uso de combustível renovável produzido no Brasil. (veja mais abaixo) Nova composição da gasolina deve passar a ter 32% de etanol Marcello Casal Jr./Agência Brasil O etanol misturado à gasolina é do tipo anidro, ou seja, passa por um processo de desidratação na usina. Mesmo assim, ele tem a capacidade de absorver água do ambiente e pode levá-la para o interior do motor. A presença de água pode afetar componentes metálicos do motor que não foram projetados para essa condição. Além disso, a combinação de etanol e água aumenta a condutividade elétrica, favorecendo a corrosão eletroquímica. Todos os componentes que entram em contato direto com o combustível precisam estar preparados para essa nova concentração de etanol. A lista engloba: tanque; boia; bomba de combustível; linhas de combustível metálicas ou plásticas; bico injetor; câmara de combustão; pistões; vedações. Alguns desses componentes podem suportar a nova mistura, mas, segundo os especialistas, a mudança exige testes detalhados para confirmar essa resistência. "As avarias principais que podem ocorrer seriam de corrosão ou desgaste nos componentes do sistema de injeção, pois podem provocar falhas de funcionamento, aumento das emissões e consumo e até dano total, principalmente na bomba e injetores", explica Rogério Gonçalves, engenheiro e diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA). Maior concentração de etanol na gasolina pode aumentar desgastes de componentes do motor Arte / g1 Segundo Gonçalves, como os automóveis mais antigos não foram projetados para esse percentual mais elevado de etanol, eles tendem a sofrer mais com a mudança, embora a reação varie de acordo com o motor. O especialista afirma que o consumo tende a aumentar tanto nos modelos flex quanto nos veículos movidos exclusivamente a gasolina, devido ao menor poder calorífico do etanol em relação à gasolina. 🔎 O poder calorífico é a quantidade de energia que um combustível consegue fornecer na forma de calor. Um quilograma de etanol hidratado, vendido nos postos, fornece cerca de 6.300 quilocalorias (kcal). Já um quilograma de gasolina A, combustível puro produzido na refinaria, fornece cerca de 10.400 kcal. Estimar com precisão o impacto no consumo é difícil porque diversos fatores influenciam o rendimento do veículo no dia a dia. Embora seja possível estimar essa diferença com base na energia fornecida por cada combustível, a variação pode ser imperceptível para o motorista no uso cotidiano. Gonçalves explica que os testes oficiais de consumo são realizados em laboratório, em ambiente controlado, com o veículo instalado em um dinamômetro, sob temperatura monitorada e seguindo um ciclo padronizado. Manutenção de alguns carros pode ficar mais cara com aumento de etanol na gasolina Divulgação Revisões podem ficar caras No mercado de manutenção, profissionais afirmam que os componentes mais suscetíveis à nova mistura são borrachas e mangueiras, que podem ressecar e apresentar vazamentos. "Além disso, a bomba de combustível e os bicos injetores podem oxidar ou travar, porque o álcool facilita a corrosão dessas partes metálicas e plásticas", explica Fábio Rhoden, sócio proprietário da oficina Flacht Motorsport & Classic Center. O motorista pode perceber que o veículo está sentindo os efeitos da nova mistura logo nas primeiras horas do dia, diz Rhoden, quando o motor passa a demorar mais tempo para dar a partida de manhã. O risco é maior nos veículos fabricados há 20 ou 30 anos, equipados com carburador ou sistemas de injeção eletrônica mais simples, que não conseguem ajustar automaticamente a mistura para essa proporção maior de etanol. Essa função é realizada pela ECU, o "cérebro" do motor. A ECU (Unidade de Controle Eletrônico) é o computador que gerencia o funcionamento do motor em tempo real. Ela recebe informações de sensores que monitoram parâmetros como rotação, temperatura, quantidade de ar admitido, posição do acelerador e composição dos gases de escape. Unidade de Controle Eletrônico (ECU) do motor a combustão é o cérebro do carro Divulgação / Bosch Com esses dados, a ECU compara o funcionamento do motor com os parâmetros de calibração desenvolvidos pela montadora e calcula, centenas de vezes por segundo, a quantidade ideal de combustível a ser injetada, o momento exato da ignição e o funcionamento de sistemas como o comando variável de válvulas e o turbocompressor. Em seguida, envia comandos aos atuadores, como bicos injetores, bobinas e corpo de borboleta, ajustando continuamente o funcionamento do motor para equilibrar desempenho, consumo, emissões e durabilidade. Nos veículos que não conseguem se ajustar à nova mistura, o motor trabalha em temperaturas mais elevadas e pode apresentar falhas frequentes. Já os modelos importados modernos sem tecnologia flex chegam ao limite de compensação da ECU e registram aumento expressivo no consumo. "Os carros antigos (carburados ou com injeções simples) não conseguem se ajustar sozinhos para queimar tanto etanol", avisa Rhoden. Além disso, esses veículos podem apresentar oscilação da marcha lenta, perda de potência e pequenos engasgos durante as acelerações. Troca das velas de ignição pode acontecer antes do previsto Divulgação / Flacht Motorsport & Classic Center A elevação do teor de etanol também pode acelerar o entupimento do filtro de combustível. O etanol desprende a sujeira acumulada no fundo do tanque. Além disso, pode antecipar a troca das velas de ignição devido ao maior calor gerado na combustão. Essa "queima" das velas de ignição pode ocorrer quando o motor não foi projetado ou calibrado para funcionar com uma concentração maior de etanol na gasolina. Nesses casos, a ECU pode não conseguir compensar corretamente a mudança na proporção da mistura ar-combustível. Como o etanol tem características de combustão diferentes da gasolina e exige maior volume de combustível para atingir a mistura ideal, o motor pode operar com uma mistura mais pobre (mais ar do que combustível na câmara) ou apresentar falhas de combustão em determinadas condições. Isso aumenta a carga sobre o sistema de ignição, fazendo com que as velas trabalhem sob maior esforço elétrico e térmico, o que acelera o desgaste e pode reduzir sua vida útil. Na maioria dos casos, a vela não "queima" apenas pelo aumento do teor de etanol, mas por uma combinação de calibração inadequada, componentes incompatíveis e funcionamento do motor fora das condições para as quais foi desenvolvido. Bolso pode sentir E as consequências para o bolso podem ser pesadas. Segundo Vinicius Giungi, proprietário de Benimports e especializado na importação de componentes para carros, as peças mais procuradas normalmente são velas, bicos injetores, bombas de combustível de baixa e alta pressão, sensores do sistema de alimentação, corpo de borboleta, mangueiras e componentes de vedação. As marcas que mais buscam esses componentes são Audi, BMW, Mercedes, Porsche, Land Rover e os Volkswagen importados, como o Golf GTI. Segundo o empresário, vários reparadores e donos desses veículos reclamam de problemas associados ao aumento do etanol na gasolina. “Esse é um tema recorrente entre proprietários e reparadores de veículos importados premium, principalmente modelos turbo, de injeção direta e veículos importados de forma independente”, explica. Segundo Giungi, os defeitos mais comuns encontrados nos componentes do sistema de alimentação e injeção são: Entupimento parcial ou total dos bicos injetores, causado por depósitos e impurezas que comprometem a pulverização do combustível; desgaste prematuro das bombas de combustível (baixa e alta pressão), resultando em perda de pressão e falhas de alimentação; ressecamento, endurecimento e perda de elasticidade de mangueiras e vedações, o que pode ocasionar vazamentos; oxidação de conectores e terminais elétricos da bomba e dos injetores e boias de combustível, agravada pela umidade ou contaminação; travamento ou funcionamento irregular de bicos injetores, prejudicando a pulverização e a dosagem do combustível; baixa vida útil de velas de ignição. Bico Injetor Bosch para Bmw 320 (F30) feita entre 2012 e 2019 Reprodução Substituir alguns desses componentes sai caro. Cada bico injetor para BMW 320, fabricada entre 2012 e 2019, sai a partir de R$ 1.256 cada, e ainda é preciso somar a mão de obra. A bomba de combustível de um Range Rover Evoque, feito entre 2011 e 2019, custa mais de R$ 1.900. Giungi explica que os preços praticados por empresas que importam peças de maneira independente costumam ser significativamente mais competitivos do que os das concessionárias. E mesmo assim assustam. “Trabalhamos com peças originais (OEM), produzidas pelos mesmos fabricantes que fornecem componentes para as montadoras na linha de produção”, explica. Anfavea pede cautela A Anfavea afirmou que é favorável aos biocombustíveis e reconhece o papel do etanol na descarbonização da frota brasileira de veículos leves. Segundo Igor Calvet, presidente da entidade, a preocupação da indústria automobilística se restringe à necessidade de que qualquer aumento na mistura seja precedido por um cronograma rigoroso de testes. "Nós temos discutido, na verdade, é que o aumento da mistura deve ser precedido de testes. Esse é o único ponto da Anfavea", explica Calvet. Igor Calvet, presidente da Anfavea Divulgação | Anfavea O executivo explica que, de acordo com as normas técnicas e as regras da ABNT, a adoção de uma mistura com 32% de etanol exige ensaios de engenharia com margem de segurança para garantir que os motores suportem a abrasividade do combustível e que os sensores estejam calibrados conforme a legislação. A manifestação sobre a importância dos testes foi feita em conjunto com o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). A entidade afirma que os testes adicionais são uma garantia para o consumidor. "A gente só queria ter a tranquilidade de que não haverá nenhum problema", diz Calvet. Segundo o executivo, a indústria automotiva já produz veículos compatíveis com biocombustíveis, mas defende rigor técnico antes da adoção de novas políticas para combustíveis no país. Indústria do etanol defende medida A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirmou em nota nesta terça-feira que a proposta de aumentar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% foi construída no âmbito do programa Combustível do Futuro, com participação de órgãos do governo, instituições de pesquisa e representantes dos setores automotivo, energético e regulatório. Segundo a entidade, “a medida reforça a segurança energética do país ao ampliar a participação de uma fonte renovável produzida no Brasil, contribuindo para reduzir a dependência de importações de gasolina e aumentar a previsibilidade no abastecimento, especialmente em um cenário internacional marcado por volatilidade.” A Unica diz que “o avanço para o E32 ocorre em linha com a trajetória histórica do Brasil, que já opera com misturas elevadas de etanol há anos, apoiado em uma das maiores frotas flex do mundo e em uma cadeia produtiva consolidada.” A entidade diz que a proposta é baseada em estudos desenvolvidos no programa Combustível do Futuro, incluindo ensaios realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo. De acordo com a Unica, os testes avaliaram desempenho, consumo, dirigibilidade, partida a frio e funcionamento de veículos leves e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina, representativos da frota brasileira. Os resultados, segundo a entidade, indicaram que a ampliação da mistura para 32% é tecnicamente viável. Sobre os veículos mais antigos, a Unica afirma que os estudos incluíram modelos movidos apenas a gasolina e que representam a frota brasileira. Segundo a entidade, os ensaios não identificaram impactos em desempenho, dirigibilidade, partida ou funcionamento geral desses veículos. A associação também diz que os testes não encontraram evidências de aumento de desgaste ou danos aos motores nas condições avaliadas e que os sistemas eletrônicos dos veículos analisados conseguiram ajustar automaticamente a mistura entre ar e combustível. A entidade também afirma que o setor tem capacidade para atender ao aumento da demanda por etanol anidro. Segundo a Unica, a necessidade adicional seria de cerca de 1 bilhão de litros por ano em relação ao E30, enquanto a produção prevista para a safra pode crescer cerca de 4 bilhões de litros, impulsionada pela expansão do etanol de milho e das usinas de cana-de-açúcar. Segundo a associação, a ampliação da mistura também pode reduzir a importação de aproximadamente 800 milhões de litros de gasolina por ano e ampliar a participação de um combustível renovável produzido no Brasil. “Além dos ganhos em segurança energética e competitividade, o E32 reforça uma das principais vantagens estratégicas do Brasil: a capacidade de expandir o uso de combustíveis renováveis em larga escala", afirma Evandro Gussi, presidente da UNICA.
Ações da Tesla caem após empresa ampliar investimentos em IA e robotáxis

Tesla Cybertruck 2026 Divulgação As ações da Tesla caiam cerca de 3% nas negociações após o fechamento do mercado nesta quarta-feira (22), depois que a empresa divulgou resultados financeiros que mostraram aumento dos investimentos em inteligência artificial (IA), robotáxis, baterias e novas tecnologias de fabricação. A fabricante de carros elétricos de Elon Musk registrou fluxo de caixa livre negativo de US$ 1,1 bilhão no segundo trimestre, o primeiro resultado negativo nesse indicador em mais de dois anos. O movimento ocorre enquanto a companhia acelera os gastos para desenvolver novas áreas de negócio além da venda de veículos. 🔍O fluxo de caixa livre negativo significa que a empresa gastou mais dinheiro do que gerou após despesas e investimentos. Isso não quer dizer necessariamente que teve prejuízo, mas indica que houve saída de recursos do caixa no período. Apesar do resultado negativo, a Tesla teve um desempenho melhor do que o esperado pelos analistas, que projetavam uma saída de caixa ainda maior. Receita cresce, mas lucro fica abaixo do esperado A Tesla registrou receita de US$ 28,24 bilhões entre abril e junho, acima da previsão média dos analistas, que esperavam US$ 25,71 bilhões, segundo dados compilados pela LSEG. Tesla, Coca-Cola, Nestlé e eBay pedem que EUA não tarifem produtos do Brasil O lucro ajustado, porém, ficou abaixo das expectativas. A empresa registrou ganho de 33 centavos de dólar por ação, enquanto o mercado esperava 51 centavos. Tesla, de Musk, investirá US$ 2 bilhões na empresa de IA do bilionário em meio a polêmica Vendas de carros superam expectativas A companhia entregou 480.126 veículos no segundo trimestre, acima das previsões de Wall Street e dos 384.122 carros entregues no mesmo período do ano passado. A produção ficou em 451.758 veículos, fazendo com que as entregas superassem a fabricação em mais de 28 mil unidades no período. O resultado ajudou a reduzir os estoques acumulados pela empresa no início do ano. Mesmo com a recuperação nas vendas, analistas avaliam que a Tesla ainda enfrenta desafios para manter o ritmo de crescimento, principalmente diante do avanço da concorrência no mercado de carros elétricos, com modelos mais baratos lançados por outras fabricantes. Aposta de Musk vai além dos carros elétricos Os investidores têm acompanhado cada vez mais os planos de Elon Musk para transformar a Tesla em uma empresa de tecnologia, com foco em inteligência artificial, direção autônoma e robótica. A empresa ampliou seu serviço de robotáxis sem motorista nos Estados Unidos e busca aprovação para expandir a tecnologia em outros mercados, incluindo Europa e China. A expectativa de investidores é que esses negócios possam gerar margens maiores no futuro do que a venda tradicional de veículos. Baterias ganham espaço no negócio da Tesla Além dos carros, a área de armazenamento de energia se tornou um dos principais motores de crescimento da Tesla. A empresa instalou 13,5 gigawatts-hora (GWh) em sistemas de armazenamento de energia no segundo trimestre, acima dos 9,6 GWh registrados um ano antes. O segmento atende principalmente redes elétricas, projetos de energia renovável e data centers, que demandam cada vez mais capacidade de armazenamento. Mesmo com queda superior a 15% das ações em 2026, a Tesla continua como a montadora mais valiosa do mundo, avaliada em cerca de US$ 1,4 trilhão. O valor da empresa ainda é sustentado pela expectativa de que inteligência artificial, robotáxis e robôs humanoides possam se tornar fontes importantes de crescimento no futuro.
CEO italiano da Stellantis alfineta após microfone falhar em reunião com Lula: 'Deve ser de origem asiática a bateria'

CEO italiano da Stellantis brinca após microfone falhar em reunião com Lula O CEO global da Stellantis, o executivo italiano Antonio Filosa, fez nesta quarta-feira (22) uma provocação após o microfone que utilizava falhar durante uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice Geraldo Alckmin, e ministros do governo no Palácio do Planalto. Filosa apresentava ao presidente Lula e aos demais integrantes do governo os investimentos que a multinacional do setor automotivo tem feito no Brasil e os números de profissionais contratados diretamente pela empresa em território brasileiro quando o microfone falhou. Ele então, declarou: "Deve ser de origem asiática a bateria [do microfone]", afirmou o italiano. A fala provocou risos do vice-presidente Geraldo Alckmin, mas Lula não esboçou nenhuma reação diante do comentário de Filosa. 🔎A Stellantis é uma das maiores montadoras automotivas do mundo, criada em janeiro de 2021 a partir da fusão de 50% entre a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) e o Groupe PSA (Peugeot-Citroën), reunindo marcas icônicas como Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën, RAM, Alfa Romeo e Maserati. Juridicamente, a multinacional está sediada em Hoofddorp, nos Países Baixos. Apesar do comentário de Filosa, a Stellantis mantém, com uma montadora chinesa, parceria voltada ao desenvolvimento de carros elétricos e à cooperação tecnológica. O presidente Lula durante reunião com representantes da Stellantis, no Palácio do Planalto Reprodução/YouTube Lula Neste terceiro mandato, Lula tem se aproximado de montadoras asiáticas que fabricam carros elétricos e híbridos, em uma estratégia de reindustrialização sustentável e transição energética. O petista lançou o programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover) e tem buscado atrair aportes para a produção de veículos movidos a eletricidade. A chinesa BYD tem feito investimentos em Camaçari (BA) e a GWM, também da China, em Iracemápolis (SP). A Hyundai também anunciou planos para o Brasil. Esses movimentos têm sido acompanhados de perto pelo presidente Lula, que busca geração de empregos no setor automotivo e transferência tecnológica. Lula quer ampliar vendas para África Após ouvir os planos de investimento da Stellantis no Brasil, o presidente Lula destacou medidas adotadas pelo governo para estimular o setor automotivo e ampliar o consumo no país, como a oferta de crédito para a renovação da frota de táxis e de motoristas de aplicativos. Além de investimentos no mercado interno, Lula defendeu a ampliação das exportações de carros e sugeriu que o governo e a Stellantis atuem em conjunto para abrir novos mercados na América Latina e na África. "É uma cesta de oportunidade para a indústria crescer. E acho que essa parceria traz como resultado o crescimento do Brasil. Uma coisa que vamos ter q trabalhar agora é aumentar a capacidade de exportação para América Latina e África, mercados promissores, importantes e temos condições de termos participação mais efetiva e numerosa" declarou o presidente. Com a entrada em vigor de um novo tarifaço aplicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra produtos brasileiros, Lula tem buscado diversificar os parceiros comerciais, para reduzir impactos das ações norte-americanas sobre a economia nacional.