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Tire dúvidas sobre o Programa Move Brasil O Move Aplicativos, nova linha de crédito para financiar carros com juros mais baixos para motoristas de aplicativo e taxistas, alcançou R$ 2,2 bilhões em financiamentos aprovados, segundo balanço divulgado nesta sexta-feira (31) pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O programa financiou veículos novos para 21.720 profissionais em todo o país. O valor médio dos financiamentos contratados foi de R$ 102 mil por motorista. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O programa foi anunciado em maio pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os recursos da linha de crédito, de cerca de R$ 30 bilhões, são do Tesouro Nacional e repassados ao BNDES para viabilizar os financiamentos. Podem participar: Taxistas devidamente registrados e ativos; Motoristas de aplicativo com cadastro ativo há pelo menos 12 meses, que tenham realizado ao menos 100 corridas nesse período, na mesma plataforma. O carro também precisa atender aos seguintes critérios: custar até R$ 150 mil; ser flex, elétrico ou híbrido flex — modelos híbridos apenas a gasolina não entram no programa; ser produzido por montadora habilitada no programa Mover. *Essa reportagem está em atualização.

Conselho aprova aumento de etanol na gasolina de 30% para 32% A partir deste sábado, 1º de agosto, a gasolina no Brasil deve ser comercializada com 32% de etanol. Antes, esse percentual era de 30%. A mudança foi anunciada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em 14 de julho e terá validade de 180 dias, mas pode ser prorrogada uma vez por igual período. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Segundo o conselho, a medida considera a volatilidade no mercado de petróleo e combustíveis, e ocorre em um momento em que o país enfrenta custos mais altos dos combustíveis fósseis, em meio à escalada da guerra no Oriente Médio. Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que veículos antigos ou sem calibração específica podem apresentar aumento no consumo, corrosão e desgaste de componentes. O Ministério Público Federal entrou com uma ação civil pública no fim de julho, pedindo a suspensão do aumento da mistura de etanol. O argumento do MPF é que os testes não foram realizados de forma conclusiva e que os impactos ambientais não foram devidamente considerados. O g1 listou algumas dicas para que o motorista proteja dos efeitos do etanol o motor de carros que não são flex. Quais são os desafios da mudança Como o etanol 'ataca' o motor Como proteger carros que não são flex Velas mais resistentes podem ajudar? Quais hábitos podem ajudar a reduzir o desgaste Filtro de combustível merece atenção; entenda Quais são os primeiros sinais de problema? As revisões podem ficar mais caras? Haverá consequências no bolso? O que diz a Anfavea O que diz a indústria do etanol Medida vinha sendo estudada Carros que não são flex podem sofrer com aumento da mistura de etanol na gasolina Marcelo Camargo/Agência Brasil A proposta de aumentar a proporção de etanol na gasolina vinha sendo discutida por integrantes do governo nos últimos meses. Especialistas, no entanto, avaliam que a mudança pode aumentar o risco de desgaste em motores mais antigos ou sem calibração específica para essa mistura. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já havia defendido a realização de mais estudos antes da implementação da medida. (veja mais abaixo) Segundo engenheiros, um dos principais desafios é a compatibilidade dos materiais, especialmente em veículos importados ou mais antigos, projetados para rodar apenas com gasolina e desenvolvidos para concentrações menores de etanol. O CNPE refutou a possibilidade de que a nova mistura cause danos aos automóveis. "No percurso dos testes, foram analisados aspectos como desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo de combustível e emissões, tanto em ambiente laboratorial quanto em condições reais de uso. De acordo com os resultados, a utilização do E32 apresentou comportamento equivalente ao observado com misturas de menor teor de etanol, sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive aqueles equipados com motores não flex", complementou nota do colegiado, formado por ministros e sociedade civil. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) também afirma que o setor tem capacidade para atender à demanda adicional e que a medida pode reduzir a importação de gasolina e ampliar o uso de combustível renovável produzido no Brasil. (veja mais abaixo) Voltar ao menu. Como o etanol 'ataca' o motor O etanol misturado à gasolina é do tipo anidro, ou seja, passa por um processo de desidratação na usina. Mesmo assim, ele tem capacidade de absorver água do ambiente e pode levá-la para o interior do motor. A presença de água pode afetar componentes metálicos do motor que não foram projetados para essa condição. Além disso, a combinação de etanol e água aumenta a condutividade elétrica, favorecendo a corrosão eletroquímica. Todos os componentes que entram em contato direto com o combustível precisam estar preparados para a nova concentração de etanol. A lista engloba: tanque; boia; bomba de combustível; linhas de combustível metálicas ou plásticas; bico injetor; câmara de combustão; pistões; vedações. Alguns desses componentes podem suportar a nova mistura, mas, segundo especialistas, a mudança exige testes detalhados para confirmar essa resistência. "As principais avarias que podem ocorrer são corrosão ou desgaste nos componentes do sistema de injeção. Isso pode provocar falhas de funcionamento, aumento das emissões e do consumo e até danos mais graves, principalmente na bomba de combustível e nos injetores", explica Rogério Gonçalves, engenheiro e diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA). Maior concentração de etanol na gasolina pode aumentar desgastes de componentes do motor Arte / g1 Segundo Gonçalves, como os automóveis mais antigos não foram projetados para esse percentual mais elevado de etanol, eles tendem a sofrer mais com a mudança, embora a reação varie de acordo com o motor. O especialista afirma que o consumo tende a aumentar tanto nos modelos flex quanto nos veículos movidos exclusivamente a gasolina, devido ao menor poder calorífico do etanol em relação à gasolina. 🔎 O poder calorífico é a quantidade de energia que um combustível consegue fornecer na forma de calor. Um quilograma de etanol hidratado, vendido nos postos, fornece cerca de 6.300 quilocalorias (kcal). Já um quilograma de gasolina A, combustível puro produzido na refinaria, fornece cerca de 10.400 kcal. Estimar com precisão o impacto no consumo é difícil porque diversos fatores influenciam o rendimento do veículo no dia a dia. Embora seja possível estimar essa diferença com base na energia fornecida por cada combustível, a variação pode ser imperceptível para o motorista no uso cotidiano. Gonçalves explica que os testes oficiais de consumo são realizados em laboratório, em ambiente controlado, com o veículo instalado em um dinamômetro, sob temperatura monitorada e seguindo um ciclo padronizado. Voltar ao menu. Chevrolet Onix ECO usa exclusivamente etanol no tanque Divulgação / GM Como proteger carro que não é flex Segundo Marcos Passos, gerente de engenharia da PHINIA, alguns cuidados ajudam a preservar o sistema de combustível de veículos antigos ou importados, desenvolvidos para rodar apenas com gasolina ou com uma concentração menor de etanol. Existem aditivos que podem ajudar em situações específicas, mas eles não tornam compatível com altos teores de etanol um veículo que não foi projetado para esse tipo de combustível, explica Passos. Se houver incompatibilidade em mangueiras, juntas, vedadores, componentes de alumínio, tanque ou sistema de alimentação, o aditivo não elimina esse risco. Entre os produtos que podem fazer diferença estão os estabilizadores de combustível, indicados principalmente para veículos que ficam muito tempo parados. Aditivos para proteger motores a gasolina podem amenizar efeitos do aumento da mistura de etanol Divulgação Há também os inibidores de corrosão, presentes em alguns aditivos premium, que criam uma película de proteção sobre superfícies metálicas. Por fim, há os aditivos limpadores do sistema de combustível, que removem depósitos acumulados em válvulas, bicos injetores e na câmara de combustão. Voltar ao menu. Velas mais resistentes A substituição das velas de ignição não resolve diretamente os efeitos do aumento da concentração de etanol na gasolina. “Porém, velas mais resistentes podem, em alguns casos, melhorar a confiabilidade da ignição, especialmente em motores mais antigos, importados ou que já apresentam dificuldade de partida”, diz o especialista. O principal desafio está na compatibilidade dos materiais do sistema de combustível e na maior absorção de umidade provocada pelo etanol. Troca das velas de ignição pode acontecer antes do previsto Divulgação / Flacht Motorsport & Classic Center As velas convencionais de níquel ou cobre são as mais comuns. Já as de platina têm eletrodos mais resistentes ao desgaste, enquanto as de irídio estão entre as melhores opções para muitos veículos modernos. Quando houver modelos homologados para o motor, as velas de platina ou de irídio podem ser uma boa opção, por oferecerem maior durabilidade e uma ignição mais estável. Essas velas normalmente custam mais do que as convencionais, segundo Vinicius Giungi, proprietário da Ben Imports, loja especializada na importação de peças automotivas. "Mas também oferecem maior durabilidade quando aplicadas corretamente. A troca somente deve ser realizada por um modelo homologado para aquele motor, respeitando o grau térmico, o comprimento e o diâmetro da rosca, a folga dos eletrodos e o torque de instalação", explica Giungi. Não é recomendado instalar uma vela mais fria ou mais quente apenas por causa do aumento do etanol. "Uma vela muito fria pode acumular resíduos e provocar falhas, enquanto uma vela muito quente pode favorecer superaquecimento e pré-ignição. Uma folga incorreta também pode sobrecarregar as bobinas e aumentar as falhas de combustão", diz Giungi. Instalar um filtro com elemento excessivamente restritivo ou acrescentar um segundo filtro sem um estudo técnico pode reduzir a vazão, causar perda de pressão e sobrecarregar a bomba de combustível. Portanto, não basta que o filtro retenha partículas menores. Segundo o empresário, ele precisa manter todas as características exigidas pelo sistema. Voltar ao menu. Hábitos ajudam a reduzir o desgaste Na maioria dos carros modernos, a mudança da gasolina com 27% de etanol para a mistura com 32% não exige mudanças na rotina de partida. Os sistemas de injeção eletrônica normalmente conseguem compensar automaticamente essa pequena diferença na composição do combustível. “Ligar o motor e aguardar entre 10 e 30 segundos antes de sair; evitar acelerar logo após a partida; dirigir suavemente nos primeiros minutos e usar o carro regularmente”, aconselha Passos. Voltar ao menu. Filtro de combustível merece atenção Existem filtros de combustível específicos para etanol ou compatíveis com veículos flex. Esses componentes utilizam elementos filtrantes, vedações e carcaças adequados a esse combustível. Nos veículos flex, a mudança da gasolina com 27% para 32% de etanol não causa impactos, já que eles foram projetados para trabalhar com combustíveis de alta concentração desse biocombustível. Filtros de combustível Divulgação Já alguns veículos não flex têm margem para suportar essa variação, mas exigem atenção. Se o filtro foi desenvolvido para gasolina com 27% de etanol, o aumento da concentração pode afetar vedações, adesivos, resinas e componentes metálicos, devido ao maior potencial de corrosão e à absorção de água. Nesses casos, pode ser necessária a substituição por filtros mais modernos, preparados para concentrações mais elevadas de etanol. Passos explica que esses filtros oferecem maior resistência química, melhor retenção de partículas finas e maior capacidade de filtração. Isso também ajuda a reter resíduos que podem se desprender do tanque e das tubulações com a maior concentração de etanol, evitando que cheguem aos injetores de combustível. "Instalar um filtro com elemento excessivamente restritivo ou acrescentar um segundo filtro sem estudo técnico pode diminuir a vazão, causar perda de pressão e sobrecarregar a bomba de combustível", diz Giungi. Portanto, não basta que o filtro retenha partículas menores. Ele precisa manter todas as características exigidas pelo sistema, afirma o empresário. Voltar ao menu. Primeiros sinais de problema Segundo Marcos Passos, os primeiros sinais costumam surgir antes de qualquer dano mais sério ao motor. Na maioria dos casos, os problemas estão relacionados ao sistema de combustível, ao sistema de ignição ou à calibração do veículo. Os sinais iniciais mais comuns são: Dificuldade de partida, principalmente com o motor frio; Marcha lenta instável; Aumento perceptível do consumo de combustível. Também podem surgir perda de desempenho, acelerações mais lentas, dificuldade nas retomadas, luz da injeção eletrônica acesa, cheiro de combustível, vazamentos, engasgos durante as acelerações e falhas sob carga. Em carros antigos, também é importante observar, durante as revisões, sinais de corrosão em conexões metálicas, mangueiras endurecidas ou rachadas e resíduos no filtro de combustível. Se o veículo passar a apresentar dificuldade de partida, marcha lenta irregular ou aumento perceptível do consumo após algumas semanas ou meses de uso da gasolina com 32% de etanol, a orientação é procurar assistência técnica especializada ou um mecânico de confiança para avaliar o sistema. Voltar ao menu. Manutenção de alguns carros pode ficar mais cara com aumento de etanol na gasolina Divulgação Revisões podem ficar caras No mercado de manutenção, profissionais afirmam que os componentes mais suscetíveis à nova mistura são borrachas e mangueiras, que podem ressecar e apresentar vazamentos. "Além disso, a bomba de combustível e os bicos injetores podem oxidar ou travar, porque o álcool facilita a corrosão dessas partes metálicas e plásticas", explica Fábio Rhoden, sócio-proprietário da oficina Flacht Motorsport & Classic Center. O motorista pode perceber que o veículo está sentindo os efeitos da nova mistura logo nas primeiras horas do dia, diz Rhoden, quando o motor passa a demorar mais tempo para dar a partida de manhã. O risco é maior nos veículos fabricados há 20 ou 30 anos, equipados com carburador ou sistemas de injeção eletrônica mais simples, que não conseguem ajustar automaticamente a mistura para essa proporção maior de etanol. Essa função é realizada pela ECU, o "cérebro" do motor. A ECU (Unidade de Controle Eletrônico) é o computador que gerencia o funcionamento do motor em tempo real. Ela recebe informações de sensores que monitoram parâmetros como rotação, temperatura, quantidade de ar admitido, posição do acelerador e composição dos gases de escape. Unidade de Controle Eletrônico (ECU) do motor a combustão é o cérebro do carro Divulgação / Bosch Com esses dados, a ECU compara o funcionamento do motor com os parâmetros de calibração desenvolvidos pela montadora e calcula, centenas de vezes por segundo, a quantidade ideal de combustível a ser injetada, o momento exato da ignição e o funcionamento de sistemas como o comando variável de válvulas e o turbocompressor. Em seguida, envia comandos aos atuadores, como bicos injetores, bobinas e corpo de borboleta, ajustando continuamente o funcionamento do motor para equilibrar desempenho, consumo, emissões e durabilidade. Nos veículos que não conseguem se ajustar à nova mistura, o motor trabalha em temperaturas mais elevadas e pode apresentar falhas frequentes. Já os modelos importados modernos sem tecnologia flex chegam ao limite de compensação da ECU e registram aumento expressivo no consumo. "Os carros antigos (carburados ou com injeções simples) não conseguem se ajustar sozinhos para queimar tanto etanol", avisa Rhoden. Além disso, esses veículos podem apresentar oscilação da marcha lenta, perda de potência e pequenos engasgos durante as acelerações. A elevação do teor de etanol também pode acelerar o entupimento do filtro de combustível. O etanol desprende a sujeira acumulada no fundo do tanque. Além disso, pode antecipar a troca das velas de ignição devido ao maior calor gerado na combustão. Essa "queima" das velas de ignição pode ocorrer quando o motor não foi projetado ou calibrado para funcionar com uma concentração maior de etanol na gasolina. Nesses casos, a ECU pode não conseguir compensar corretamente a mudança na proporção da mistura ar-combustível. Como o etanol tem características de combustão diferentes da gasolina e exige maior volume de combustível para atingir a mistura ideal, o motor pode operar com uma mistura mais pobre (mais ar do que combustível na câmara) ou apresentar falhas de combustão em determinadas condições. Isso aumenta a carga sobre o sistema de ignição, fazendo com que as velas trabalhem sob maior esforço elétrico e térmico, o que acelera o desgaste e pode reduzir sua vida útil. Na maioria dos casos, a vela não "queima" apenas pelo aumento do teor de etanol, mas por uma combinação de calibração inadequada, componentes incompatíveis e funcionamento do motor fora das condições para as quais foi desenvolvido. Voltar ao menu. Bolso pode sentir E as consequências para o bolso podem ser pesadas. Segundo Vinicius Giungi, proprietário de Ben Imports e especializado na importação de componentes para carros, as peças mais procuradas normalmente são velas, bicos injetores, bombas de combustível de baixa e alta pressão, sensores do sistema de alimentação, corpo de borboleta, mangueiras e componentes de vedação. As marcas que mais buscam esses componentes são Audi, BMW, Mercedes, Porsche, Land Rover e os Volkswagen importados, como o Golf GTI. Segundo o empresário, vários reparadores e donos desses veículos reclamam de problemas associados ao aumento do etanol na gasolina. “Esse é um tema recorrente entre proprietários e reparadores de veículos importados premium, principalmente modelos turbo, de injeção direta e veículos importados de forma independente”, explica. Segundo Giungi, os defeitos mais comuns encontrados nos componentes do sistema de alimentação e injeção são: Entupimento parcial ou total dos bicos injetores, causado por depósitos e impurezas que comprometem a pulverização do combustível; desgaste prematuro das bombas de combustível (baixa e alta pressão), resultando em perda de pressão e falhas de alimentação; ressecamento, endurecimento e perda de elasticidade de mangueiras e vedações, o que pode ocasionar vazamentos; oxidação de conectores e terminais elétricos da bomba e dos injetores e boias de combustível, agravada pela umidade ou contaminação; travamento ou funcionamento irregular de bicos injetores, prejudicando a pulverização e a dosagem do combustível; baixa vida útil de velas de ignição. Bico Injetor Bosch para Bmw 320 (F30) feita entre 2012 e 2019 Reprodução Substituir alguns desses componentes sai caro. Cada bico injetor para BMW 320, fabricada entre 2012 e 2019, sai a partir de R$ 1.256 cada, e ainda é preciso somar a mão de obra. A bomba de combustível de um Range Rover Evoque, feito entre 2011 e 2019, custa mais de R$ 1.900. Giungi explica que os preços praticados por empresas que importam peças de maneira independente costumam ser significativamente mais competitivos do que os das concessionárias. E mesmo assim assustam. “Trabalhamos com peças originais (OEM), produzidas pelos mesmos fabricantes que fornecem componentes para as montadoras na linha de produção”, explica. Voltar ao menu. Anfavea pede cautela A Anfavea afirmou que é favorável aos biocombustíveis e reconhece o papel do etanol na descarbonização da frota brasileira de veículos leves. Segundo Igor Calvet, presidente da entidade, a preocupação da indústria automobilística se restringe à necessidade de que qualquer aumento na mistura seja precedido por um cronograma rigoroso de testes. "Nós temos discutido, na verdade, é que o aumento da mistura deve ser precedido de testes. Esse é o único ponto da Anfavea", explica Calvet. Igor Calvet, presidente da Anfavea Divulgação | Anfavea O executivo explica que, de acordo com as normas técnicas e as regras da ABNT, a adoção de uma mistura com 32% de etanol exige ensaios de engenharia com margem de segurança para garantir que os motores suportem a abrasividade do combustível e que os sensores estejam calibrados conforme a legislação. A manifestação sobre a importância dos testes foi feita em conjunto com o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). A entidade afirma que os testes adicionais são uma garantia para o consumidor. "A gente só queria ter a tranquilidade de que não haverá nenhum problema", diz Calvet. Segundo o executivo, a indústria automotiva já produz veículos compatíveis com biocombustíveis, mas defende rigor técnico antes da adoção de novas políticas para combustíveis no país. Voltar ao menu. Indústria do etanol defende medida A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirmou em nota nesta terça-feira que a proposta de aumentar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% foi construída no âmbito do programa Combustível do Futuro, com participação de órgãos do governo, instituições de pesquisa e representantes dos setores automotivo, energético e regulatório. Segundo a entidade, “a medida reforça a segurança energética do país ao ampliar a participação de uma fonte renovável produzida no Brasil, contribuindo para reduzir a dependência de importações de gasolina e aumentar a previsibilidade no abastecimento, especialmente em um cenário internacional marcado por volatilidade.” A Unica diz que “o avanço para o E32 ocorre em linha com a trajetória histórica do Brasil, que já opera com misturas elevadas de etanol há anos, apoiado em uma das maiores frotas flex do mundo e em uma cadeia produtiva consolidada.” A entidade diz que a proposta é baseada em estudos desenvolvidos no programa Combustível do Futuro, incluindo ensaios realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo. De acordo com a Unica, os testes avaliaram desempenho, consumo, dirigibilidade, partida a frio e funcionamento de veículos leves e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina, representativos da frota brasileira. Os resultados, segundo a entidade, indicaram que a ampliação da mistura para 32% é tecnicamente viável. Sobre os veículos mais antigos, a Unica afirma que os estudos incluíram modelos movidos apenas a gasolina e que representam a frota brasileira. Segundo a entidade, os ensaios não identificaram impactos em desempenho, dirigibilidade, partida ou funcionamento geral desses veículos. A associação também diz que os testes não encontraram evidências de aumento de desgaste ou danos aos motores nas condições avaliadas e que os sistemas eletrônicos dos veículos analisados conseguiram ajustar automaticamente a mistura entre ar e combustível. Segundo Luciano Rodrigues, diretor de inteligência setorial da Unica, os testes feitos com a especificação de E30 já contemplavam a possibilidade da mistura chegar até 32%. Na época, a legislação permitia que a bomba do posto apresentasse essa composição como margem de erro. Agora, com o E32, segundo Rodrigues, não foi estabelecida a margem de 2 pontos percentuais e, portanto, o posto não pode vender gasolina com 34% de etanol. A entidade também afirma que o setor tem capacidade para atender ao aumento da demanda por etanol anidro. Segundo a Unica, a necessidade adicional seria de cerca de 1 bilhão de litros por ano em relação ao E30, enquanto a produção prevista para a safra pode crescer cerca de 4 bilhões de litros, impulsionada pela expansão do etanol de milho e das usinas de cana-de-açúcar. Segundo a associação, a ampliação da mistura também pode reduzir a importação de aproximadamente 800 milhões de litros de gasolina por ano e ampliar a participação de um combustível renovável produzido no Brasil. “Além dos ganhos em segurança energética e competitividade, o E32 reforça uma das principais vantagens estratégicas do Brasil: a capacidade de expandir o uso de combustíveis renováveis em larga escala", afirma Evandro Gussi, presidente da UNICA. 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'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos Com a concorrência chinesa em ascensão, os lucros em queda e a popularização de veículos elétricos da China, gigantes automobilísticas alemãs planejam dezenas de milhares de demissões e revisão de estratégias. A BMW anunciou na quarta-feira (29) o corte de até 8 mil postos de trabalho em todo o mundo, tornando-se a quinta montadora alemã a divulgar grandes reduções de pessoal. O setor automobilístico enfrenta crescente pressão da concorrência chinesa, especialmente no segmento de veículos elétricos. Segundo a empresa sediada em Munique, as demissões afetarão cerca de 5% da força de trabalho global, que soma 154 mil funcionários. A BMW, proprietária também das marcas Mini e Rolls-Royce, afirmou que o impacto será maior sobre as operações na Alemanha. Embora fosse considerada mais resistente à concorrência chinesa, a BMW alertou no mês passado que suas vendas na China estão caindo acentuadamente. A disputa no mercado de veículos elétricos com as montadoras do gigante asiático diminuíram o poder de precificação da alemã. Logotipo da BMW em veículo exibido no Salão Internacional do Automóvel de Pequim (Auto China), em Pequim, na China. Reuters No ano passado, as entregas de veículos da montadora na China reduziram para o menor nível desde 2017. No trimestre encerrado em junho, o recuo foi de 30% na comparação com o mesmo período do ano anterior. As tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também contribuíram para as dificuldades, juntamente com o aumento dos preços da energia decorrente da guerra entre EUA, Israel e Irã e a expansão das fabricantes chinesas em outros mercados importantes, incluindo Europa, Ásia-Pacífico e América Latina. Na quinta-feira, a empresa informou que o lucro líquido do segundo trimestre caiu 35%, para 1,2 bilhão de euros (R$ 7 bilhões), enquanto a receita recuou de 34 bilhões (R$ 199 bilhões) para 31 bilhões de euros (R$181 bilhões). A BMW revisou suas projeções para o restante do ano e alertou para uma "queda significativa" nos lucros. Nem a Porsche escapa Dois dias antes, a Porsche anunciara planos para cortar mais 5 mil empregos na Alemanha até o fim de 2035. O número corresponde a cerca de um em cada cinco funcionários da empresa. A fabricante de carros esportivos informou que as novas medidas afetarão sua principal fábrica, em Stuttgart-Zuffenhausen, e seu centro de pesquisa e desenvolvimento na vizinha Weissach. Fábrica da Porsche em Zuffenhausen, Alemanha Divulgação / Porsche No ano passado, a Porsche já previra a eliminação de 1,9 mil postos de trabalho na região até 2029 e o encerramento de 2 mil contratos temporários. A empresa também vai adiar aumentos salariais, enquanto os bônus por desempenho passarão a estar mais diretamente vinculados aos lucros. A Porsche, que pertence ao Grupo Volkswagen, mas opera com elevado grau de independência, também reduziu vagas em sua fábrica de Leipzig e está fechando três subsidiárias que empregam cerca de 500 pessoas. No fim do ano passado, a Porsche tinha quase 41,8 mil funcionários, dos quais cerca de 85% estavam na Alemanha. Cortes profundos na Volkswagen A Volkswagen, maior montadora da Europa, dobrou no mês passado seu programa de redução de pessoal e anunciou planos para eliminar até 100 mil empregos. A empresa também pretende fechar quatro fábricas na Alemanha. Os sindicatos e o estado da Baixa Saxônia, que detém 20% dos direitos de voto na companhia e tem poder de veto sobre decisões estratégicas, rejeitaram os novos planos. Inicialmente, a Volkswagen havia informado que reduziria 50 mil postos de trabalho. A montadora é conhecida por seu quadro de pessoal inflado, com cerca de 630 mil funcionários em todo o mundo, ou 680 mil se consideradas as joint ventures chinesas. O grupo sediado em Wolfsburg emprega aproximadamente 60% mais trabalhadores que a Toyota, apesar de produzir quantidade semelhante de veículos. O grande contingente de funcionários, antes visto como símbolo da força industrial alemã, se transformou em peso financeiro diante da intensificação da concorrência das fabricantes chinesas de veículos elétricos. Veículo elétrico Volkswagen ID. UNYX 08 em linha de produção na fábrica da Volkswagen Anhui, em Hefei, na China. REUTERS/Florence Lo/Foto de arquivo A Volkswagen mantém internamente mais etapas da produção do que os concorrentes, o que aumenta a demanda por mão de obra. Além disso, os custos de produção nas fábricas alemãs costumam ser até duas vezes maiores que os de seus rivais. O avanço considerado lento da empresa no segmento de veículos elétricos também enfraqueceu suas vendas na China, mercado que já representou um terço das entregas globais, além da Europa. Mercedes reduz quadro sem demissões Em março do ano passado, a Mercedes-Benz acertou com seu conselho de trabalhadores um plano para economizar 5 bilhões de euros (R$ 29 bilhões) até 2027. No entanto, a empresa descartou demissões compulsórias em suas fábricas alemãs, defendendo que saídas voluntárias seriam suficientes para implementar as mudanças. Até março deste ano, cerca de 5.500 funcionários das áreas administrativa, de pesquisa e desenvolvimento e de tecnologia da informação haviam aderido a programas de desligamento. Os trabalhadores da produção permaneceram protegidos. No mês passado, a Mercedes adiou para 2027 o pagamento de um bônus a quase três quartos de sua força de trabalho na Alemanha e propôs ampliar a jornada semanal de 35 para 40 horas sem aumento salarial. Mercedes-Benz VLE Divulgação / Mercedes-Benz Executivos da empresa indicaram que algumas funções poderão ser transferidas para outros países. Foram relatadas ainda reduções de pessoal nas operações da montadora na China. Na terça-feira, a Mercedes afirmou ter registrado baixas contábeis superiores a 700 milhões de euros (R$ 4 bilhões) devido à forte concorrência na China. Embora o lucro líquido do segundo trimestre tenha crescido 13,5%, alcançando 1 bilhão de euros (R$ 6 bilhões), o lucro operacional da principal divisão de automóveis caiu um quarto, para 909 milhões de euros (R$ 5 bilhões). Audi também sob pressão A Audi, controlada pela Volkswagen, anunciou no ano passado planos para eliminar até 7,5 mil postos de trabalho na Alemanha até o fim de 2029. A empresa descartou demissões compulsórias e informou que os cortes nas áreas administrativa e de pesquisa e desenvolvimento ocorrerão por meio de programas voluntários e aposentadorias antecipadas. Linha de produção do Audi Q7 na cidade de Bratislava, capital da Eslováquia. Divulgação / Audi No entanto, no mês passado, a fábrica da Audi em Neckarsulm foi incluída pela controladora Volkswagen entre as unidades que poderão ser fechadas em 2030. A medida pode afetar cerca de 15 mil trabalhadores.








