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Carro elétrico no condomínio: quem deve arcar com os custos da instalação dos carregadores de bateria?

O aumento nas vendas de carros elétricos provoca debate nos condomínios A chegada dos carros elétricos às garagens de condomínios começa a criar um novo tipo de discussão entre vizinhos: quem deve pagar pela instalação dos carregadores de bateria? A dúvida aparece porque, embora o veículo e a vaga sejam de uso individual, a infraestrutura necessária para levar energia até o ponto de recarga é, em muitos casos, compartilhada. Mais carros elétricos levam carregadores para o centro da disputa em condomínios Em um condomínio no Rio de Janeiro, com 170 apartamentos, há apenas uma estação de recarga, instalada em uma vaga de visitantes. Os moradores que têm carros elétricos querem que novos carregadores sejam instalados nas próprias vagas. Do outro lado, quem não tem veículo elétrico questiona por que deveria arcar com uma estrutura que não utiliza. “Ele não paga minha gasolina, por que eu tenho que pagar a eletricidade do carro dele?”, questiona um dos moradores. O impasse levou o carregamento de veículos elétricos para a pauta do condomínio. A discussão envolve não apenas o custo da energia consumida, mas também eventuais obras necessárias para adaptar a rede elétrica do prédio. Mercado de carros elétricos ganha força no Brasil Reprodução/TV Globo Quem paga pela instalação? A resposta depende da estrutura necessária para fazer a instalação. Em prédios mais antigos, pode ser preciso alterar cabeamento, equipamentos de proteção e o quadro de energia. Em alguns casos, também pode haver necessidade de solicitar aumento da carga disponível junto à concessionária. Por isso, a instalação de um carregador não deve ser tratada simplesmente como a colocação de uma tomada na garagem. “Começa-se internamente na alteração de cabeamento, dispositivos de proteção, mas não se exclui a necessidade de eventualmente solicitar mais energia para o concessionário”, explica um especialista ouvido pela reportagem. A orientação é que o condomínio faça um projeto e siga as normas de segurança antes de instalar os equipamentos. Segundo a administração de um dos prédios ouvidos, a lógica defendida é separar os custos da estrutura coletiva do consumo individual. A estrutura necessária para permitir a instalação dos carregadores pode ser custeada pelo condomínio, enquanto a energia utilizada para abastecer cada veículo fica por conta do respectivo morador. “Que a estrutura todo mundo paga, agora a energia só paga quem vai usar”, explica. Prédios antigos enfrentam desafio maior O problema pode ser ainda maior em edifícios antigos. Segundo o especialista, uma rede elétrica projetada há décadas pode não ter capacidade para atender vários veículos carregando simultaneamente. “O prédio antigo, eu vou te dizer objetivamente, ele não vai dar conta de atender a uma demanda maior de energia”, afirma. Por isso, antes de autorizar a instalação, é necessário avaliar a capacidade da rede elétrica e identificar quais adaptações serão necessárias. Em um prédio novo em São Paulo, por exemplo, a infraestrutura já foi planejada para receber carros elétricos. O condomínio tem 188 vagas e três carregadores instalados. Mesmo assim, já são 18 moradores com veículos elétricos — uma média de seis carros para cada ponto de recarga. A situação mostra que o crescimento da frota também pode pressionar a infraestrutura dos condomínios. E se o morador quiser instalar o carregador sozinho? Em São Paulo, uma lei estadual garante ao morador o direito de instalar um carregador na própria vaga, desde que sejam cumpridas as regras de segurança. O condomínio só pode impedir a instalação caso exista uma justificativa técnica. Mesmo assim, a orientação apresentada na reportagem é que a questão seja levada à assembleia antes de qualquer obra. “Tem que descer para a assembleia”, afirma um dos entrevistados. Segundo ele, é necessário discutir a instalação coletivamente, já que a obra pode envolver áreas e equipamentos de uso comum. A infraestrutura elétrica que leva energia até o carregador faz parte do prédio e pode ser compartilhada entre os demais condôminos. Reprodução/TV Globo O que acontece com a conta de luz? A separação entre a instalação da estrutura e o consumo é um dos principais pontos da discussão. A energia usada para carregar o veículo é individual e, portanto, a proposta apresentada é que seja paga pelo proprietário do carro. Já obras na infraestrutura elétrica do prédio podem envolver todos os moradores, já que beneficiam a estrutura coletiva e permitem que diferentes vagas recebam carregadores. Para a administradora do condomínio no Rio, a solução passa por colocar os prós e os contras na mesa e deixar a decisão para a assembleia. Enquanto os moradores discutem quem deve pagar, os carros elétricos continuam ganhando espaço no país. Em um ano, as vendas de elétricos e híbridos triplicaram. Já são mais de 815 mil veículos desse tipo circulando no Brasil, e eles representaram cerca de 16% dos carros vendidos no primeiro semestre. Com mais veículos elétricos nas ruas, a disputa pela tomada tende a chegar a cada vez mais garagens — e transformar uma questão individual em um problema coletivo. LEIA TAMBÉM: Circulação na contramão, engarrafamento e infração dos limites de velocidade: os riscos da febre das bicicletas elétricas
Mais carros elétricos levam carregadores para o centro da disputa em condomínios

O aumento nas vendas de carros elétricos provoca debate nos condomínios O avanço dos carros elétricos no Brasil começa a mudar também a rotina dos condomínios. A instalação de pontos de recarga nas garagens já chegou às assembleias e divide moradores entre aqueles que querem carregar o veículo na própria vaga e os que se preocupam com os impactos da mudança na estrutura e nos custos do prédio. Em um condomínio no Rio de Janeiro, com 170 apartamentos, há apenas uma estação de recarga, instalada em uma vaga de visitante. A discussão sobre ampliar a estrutura ainda divide os moradores — e uma das principais dúvidas é quem deve pagar pela energia consumida pelos veículos. Segundo o advogado especialista em condomínios Marcio Rachkorsky, esse é um dos questionamentos que mais aparecem nas discussões: “O que mais eu ouço: 'Mas ele não paga a minha gasolina, por que eu tenho que pagar a eletricidade do carro dele? Cada um que pague a sua.'” A resistência, porém, não se resume à conta de luz. Para a arquiteta Alice Camargos, parte da oposição à instalação dos carregadores vem justamente de moradores que ainda não têm um veículo elétrico: “As pessoas que estão ao contrário são pessoas que não têm o carro elétrico.” A administradora do condomínio, Gabriela Mattos, vê outro fator por trás da resistência: a falta de informação. Segundo ela, existe “um preconceito muito muito grande em relação a isso, até por falta de conhecimento, por falta de informações”. Nesse cenário, a discussão ainda está longe de ser consensual. A cirurgiã-dentista Danielle Machado reconhece que o tema provoca divergências, mas vê o conflito como parte do processo de adaptação à nova tecnologia. “Tá muito acirrado, tá polêmico. Mas a gente sabe que isso é normal. Toda mudança, todo processo de transformação se fazem necessário muita discussão, muito diálogo” Mais carros elétricos, mais necessidade de recarga A discussão ganha força à medida que mais veículos elétricos e híbridos chegam às ruas. Em um ano, as vendas desses modelos triplicaram. Atualmente, são mais de 815 mil veículos desse tipo circulando no Brasil. No primeiro semestre, eles representaram cerca de 16% do total de carros vendidos. Em julho, os emplacamentos de elétricos superaram os de veículos a diesel pela primeira vez. Com mais carros desse tipo nas ruas, também muda a forma de abastecer. A recarga pode ser feita em hotéis, shoppings, supermercados, empresas ou em casa, mas exige um planejamento diferente do abastecimento em um posto de combustível. O engenheiro eletricista Sidney Aparecido Antônio instalou um carregador em casa. Segundo ele, o tempo necessário depende do equipamento: nesse tipo de carregadores, é 25 a 30 minutos para carregar 50% do necessário. Mercado de carros elétricos ganha força no Brasil Reprodução/TV Globo “Se você gasta R$ 3 mil por mês, você vai estar a gastar R$ 500.” Para quem depende do carro para trabalhar, porém, não ter um carregador disponível em casa pode complicar a rotina. A taxista Patrícia Martins Neves trabalha há sete meses com um veículo elétrico e precisa manter a bateria carregada para atender aos clientes. No condomínio onde mora, ainda não há pontos de recarga. Ela e outros dois moradores que têm carros elétricos aguardam uma solução. “A gente já conversou com o síndico, ele falou que no momento não dá. Só que no futuro isso vai ser feito. É pra gente ter paciência e esperar.” A infraestrutura elétrica que leva energia até o carregador faz parte do prédio e pode ser compartilhada entre os demais condôminos. Reprodução/TV Globo Por que a instalação vira uma decisão do condomínio? O problema é que, embora a vaga seja de uso do morador, a estrutura elétrica necessária para levar energia até ela faz parte do prédio e pode ser compartilhada pelos demais condôminos. Por isso, instalar um carregador não é apenas uma decisão individual. É preciso avaliar se a rede elétrica suporta os novos equipamentos, quais adaptações serão necessárias e como os custos serão divididos. Para Rachkorsky, a conta deve separar a estrutura coletiva do consumo de cada veículo. “A estrutura todo mundo paga. Agora, a energia só paga quem vai usar. Tem que fazer um projeto, tem que estar dentro das normas do bombeiro, tem que fazer uma assembleia, os moradores precisam aprovar, custear tudo isso, arrecadar o dinheiro, aí sim.” Em São Paulo, uma lei estadual garante ao morador o direito de instalar um carregador na própria vaga, desde que sejam observadas regras de segurança. O condomínio só pode impedir a instalação mediante justificativa técnica. Mesmo assim, a síndica profissional Elisabeth Machado Gomes afirma que o assunto deve ser discutido coletivamente: “É um perereco. Não é só porque a lei está aí, foi criada, e que eu posso sair fazendo, ou ele pode fazer da maneira que ele bem entende. Ele tem que esperar, sim, uma assembleia.” Prédios novos já preveem carregadores; antigos podem precisar de adaptações A estrutura disponível varia bastante de um condomínio para outro. Em um prédio recém-entregue em São Paulo, a garagem já foi planejada para receber carregadores. São 188 vagas, mas apenas três pontos de recarga instalados para uma frota de 18 carros elétricos. Em edifícios antigos, a adaptação pode ser mais complexa. Segundo Omar Anawat, presidente da Associação dos Administradores de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC), muitos prédios não foram projetados para atender ao aumento da demanda por energia. “O prédio antigo, eu vou te dizer objetivamente, ele não vai dar conta de atender a uma demanda maior de energia. Isso é o maior risco possível para uma situação de carregamento: é você usar a tomada sem saber a carga, sem saber se a parte técnica está correta.” O engenheiro eletricista Fabio Delatore explica que a instalação pode exigir novos cabos e equipamentos de proteção e, em alguns casos, até um aumento da quantidade de energia fornecida pela concessionária. “Começa-se internamente uma operação de cabeamento, dispositivos de proteção, mas não se exclui a necessidade de, eventualmente, solicitar mais energia do concessionário. E aí está condicionada a disponibilidade ou não.” Segurança também preocupa Além da capacidade da rede elétrica, os condomínios precisam considerar os riscos relacionados às baterias dos veículos. O engenheiro eletricista Marco Aurélio Moreira afirma que as baterias de íon de lítio exigem cuidados específicos. “Existe a questão das baterias de íon de lítio, elas realmente têm uma questão de serem mais inflamáveis se expostas ao oxigênio.” O Corpo de Bombeiros também vem se preparando para ocorrências envolvendo veículos elétricos e sistemas de recarga. Segundo o capitão Murillo Rinaldi Amendoeira, a orientação é evitar instalações improvisadas. “A gente precisa evitar qualquer tipo de improviso. É um novo tipo de tecnologia. O bombeiro, no mundo todo, vem se preparando para atender esse tipo de ocorrência. É uma ocorrência um pouco mais complexa. Ela demanda novas táticas, novas técnicas, para fazer justamente esse combate.” Para moradores, carregadores podem virar diferencial Enquanto a assembleia do condomínio no Rio de Janeiro ainda não tem data para acontecer, moradores seguem discutindo os possíveis impactos da instalação dos carregadores. Para Alice Camargos, a infraestrutura pode inclusive aumentar o valor dos imóveis: “Porque hoje em dia todo mundo procura um prédio que tenha algo a mais.” Danielle Machado também vê a mudança como parte de uma transformação que tende a avançar: “Acredito que no final nós vamos conseguir sim. Nós vamos conseguir uma energia limpa, com estrutura, com segurança. Eu acredito porque esse é o futuro.”
Abandono de animais com carro pode virar infração gravíssima e levar à perda da CNH por 18 meses

Câmera de segurança flagrou abandono de cachorro em São Leopoldo (RS) Reprodução/Câmera de segurança Foi aprovado na Câmara dos Deputados o projeto de lei que endurece as punições para quem usar veículo para abandonar animais. A proposta agora segue para o Senado para ser votada. O texto prevê multa, suspensão do direito de dirigir e cassação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em caso de reincidência. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O projeto reúne propostas que tramitavam em conjunto na Câmara e estabelece também punições para o abandono de animais com embarcações. O parecer do relator, deputado Fred Costa (PRD-MG), recomenda a aprovação da matéria na forma de um substitutivo. Ou seja, altera o texto original e junta outras propostas. Agora no g1 O que prevê o projeto A proposta cria uma nova infração gravíssima no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) para quem utilizar veículo para abandonar ou ajudar no abandono de um animal em via. A punição básica é multa equivalente a 10 vezes o valor previsto para a infração e suspensão do direito de dirigir por 12 meses. Quando o animal abandonado for cão ou gato, a suspensão sobe para 18 meses. O texto também prevê regras específicas para abandono de animais com embarcações em rios, lagos, baías, represas e outras águas interiores. Nesse caso, a punição inclui multa e suspensão do certificado de habilitação por 12 meses. Para cães e gatos, o período também sobe para 18 meses. Veja as punições previstas Abandono com veículo: infração gravíssima. Multa: 10 vezes o valor da multa correspondente à infração. Suspensão da habilitação: 12 meses. Se for cão ou gato: suspensão por 18 meses. Se o abandono provocar morte, atropelamento ou lesão: a multa é aplicada em dobro. Reincidência em até 24 meses: cassação da CNH. Abandono com embarcação: multa e suspensão do certificado de habilitação por 12 meses. Cão ou gato abandonado por embarcação: suspensão por 18 meses. Morte, afogamento ou lesão em abandono por embarcação: multa em dobro. Reincidência em até 24 meses com embarcação: cancelamento do certificado de habilitação. O que diz o relator No parecer, Fred Costa afirma que o abandono de animais deve ser tratado como uma conduta de maior gravidade. “Todos [os projetos apensados ao texto final] partem de uma premissa correta: o abandono não pode ser tratado como conduta de baixa gravidade ou de mera irregularidade administrativa”, diz o deputado no voto. Segundo o relator, o uso de veículos agrava a situação porque pode levar o animal para locais onde fica mais difícil seu retorno, resgate ou identificação do responsável. O parecer cita ainda riscos como atropelamento, fome, sede, doenças e ataques de outros animais. Em outro trecho, Costa defende que a prática não seja tratada apenas como uma irregularidade administrativa. “O abandono não pode ser tratado como conduta de baixa gravidade ou de mera irregularidade administrativa.”