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Tire dúvidas sobre o Programa Move Brasil O governo federal ampliou nesta semana o programa Move Aplicativos, que oferece financiamento com juros baixos para motoristas de app e taxistas. Agora, a linha de financiamento com juros mais baixos também passa a permitir a compra de carros usados. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp As regras para seminovos seguem praticamente as mesmas já em vigor desde junho: O veículo precisa custar até R$ 150 mil; Modelo seminovo deve ser elétrico ou híbrido flex (modelos híbridos apenas a gasolina não entram no programa); Precisa ter sido fabricado a partir de 2024; A montadora deve estar habilitada no programa Mover. Há poucos carros com sistema híbrido flex disponíveis por menos de R$ 150 mil no mercado de seminovos, segundo o preço médio divulgado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Nessa faixa, aparecem as versões híbridas de: Fiat Pulse: R$ 107.493; Fiat Fastback: R$ 117.746; Peugeot 2008 GT: R$ 146.415; Peugeot 208 GT: R$ 120.769. Já os modelos elétricos são mais numerosos, e o preço médio apontado pela tabela Fipe é de: BYD Dolphin Mini: R$ 98.136; BYD Dolphin: R$ 118.540; GWM Ora 03: R$ 120.391; GAC Aion UT: R$ 128.790; Chevrolet Spark EUV: R$ 139.020; Geely EX2: R$ 113.882; Renault Kwid E-Tech: R$ 81.412. Volkswagen Polo, Chevrolet Onix Plus, BYD Dolphin e Fiat Pulse podem entrar no programa Move arte/g1 Programa enfrenta barreira na aprovação do crédito Mesmo com a injeção de R$ 30 bilhões para financiar a venda de veículos com juros inferiores à metade dos praticados no mercado, poucos carros foram financiados para motoristas de aplicativo e taxistas. Até 14 de julho, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou que R$ 1 bilhão foi empenhado no programa, o que representa apenas 3% do total reservado para garantir o financiamento dos veículos. O g1 ouviu especialistas e representantes do setor para entender o que está travando o programa. Todos foram categóricos ao apontar a dificuldade dos motoristas em obter a aprovação do crédito. “A maioria dos motoristas não tem condições, senão a gente estaria vendo esse valor explodir, como foi em programas anteriores. Então, é realmente a análise de crédito que está impedindo que o programa avance com mais velocidade”, apontou a economista Tereza Fernandez. Ela vai além e comenta que, mesmo com a redução dos juros, o preço do carro ainda é alto. “Um motorista de Uber pagar R$ 120 mil em tantos meses, fica uma prestação salgada mesmo com esses juros”, aponta. “O risco está todo com a instituição financeira. O risco de inadimplemento é alto. As instituições financeiras não estão liberando crédito, pois essa análise está com elas”, afirma o consultor automotivo Milad Kalume Neto. Ele afirma que, das nove instituições financeiras que operam no programa, apenas duas são consideradas mais “acessíveis”. Armando Castelar, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), destaca que as famílias chegam ao financiamento já endividadas, o que reduz o número de interessados na renovação do veículo. “As famílias estão muito endividadas. Tanto a dívida, quanto o serviço da dívida, que é o que as famílias gastam por mês para pagar juros e amortização, estão no recorde histórico”, diz Castelar. “Eu entendo que haja uma reticência tanto do motorista em se endividar, já que ele já está muito endividado como consumidor. Como as instituições vão dar um crédito para quem já está muito endividado? Pode oferecer a você uma dívida, mas, se você está muito endividado, vai pegar essa dívida só por te oferecerem?”, complementa. A dificuldade de acesso ao crédito para os motoristas foi confirmada por Leandro Cruz, presidente do Sindicato dos Trabalhadores com Aplicativos de Transportes Terrestres Intermunicipais do Estado de São Paulo. Embora aprove a iniciativa do governo, Cruz afirma que uma parcela considerável dos motoristas chega “negativada” para financiar o veículo, e a instituição financeira acaba não aprovando a operação. “O maior problema é que o trabalhador que trabalha muito, que faz de R$ 10 mil a R$ 12 mil, já está negativado. Esse trabalhador é o que mais tem condições de financiar, mas vem sendo negado quando pede o financiamento”, apontou Leandro. Ele ainda lembra que a garantia oferecida por um modelo seminovo é menor que a do modelo zero km, aumentando os custos que o motorista poderá ter em um prazo menor. “Tem que fazer uma cautelar muito minuciosa, pois tem cara que mexe na quilometragem, tem motorista que pegou carro de locadora com quatro meses de rodagem e fundiu o motor, ficando três ou quatro meses sem andar”, revela. A Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) também aprova a expansão do programa do governo federal, mas não comemora. "É importante ter uma expectativa realista quanto aos seus efeitos imediatos. Se os critérios de análise de risco permanecerem os mesmos, uma parcela significativa desses profissionais continuará encontrando barreiras para acessar o financiamento", disse Everton Fernandes, presidente da Fenauto. A preocupação é a mesma da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef). "Chamamos a atenção para dois pontos: O crédito ficará sujeito a critérios de aprovação das instituições financeiras que efetivamente são as que tomam o risco. Portanto, é razoável se esperar recusas de propostas por absoluta falta de condições de honrar o crédito. E em alguns casos vão requerer entrada para mitigar o risco de inadimplência", disse Enilson Sales, presidente da Anef. Segundo dados do Serasa, o Brasil enfrenta um alto nível de endividamento. Em junho deste ano, foram contabilizados 83,7 milhões de endividados no país — 17,2% a mais do que em 2023, quando eram 71,4 milhões. Este é o maior número da série histórica, que indica alta por 18 meses consecutivos. Procurado pelo g1, o BNDES afirmou não haver problemas na instituição para o repasse dos valores. (veja a íntegra da nota abaixo) O BNDES acompanha a execução do Programa BNDES Move Motoristas em todo o território nacional, por meio do monitoramento de seus resultados e da interlocução com os agentes financeiros credenciados. Esse acompanhamento subsidia o aperfeiçoamento contínuo da operacionalização do programa, quando necessário. O Programa BNDES Move Motoristas segue em pleno funcionamento, com operações e repasse de recursos sendo realizados por meio da rede de instituições financeiras credenciadas, conforme o modelo previsto. Como é característico em programas dessa natureza, que envolvem etapas de habilitação, análise de crédito e contratação junto aos agentes financeiros, a aprovação das operações ocorre de forma gradual. A instituição financeira, a partir do encaminhamento do pedido da concessionária, fará a análise do perfil de crédito de cada motorista ou taxista e, se aprovado, concluirá a contratação com as condições do programa. Os critérios de aprovação do financiamento seguem a política de crédito de cada instituição financeira credenciada, dentro dos parâmetros gerais do programa, como elegibilidade do veículo, do beneficiário e do uso (taxista, motorista de aplicativo ou cooperativa). O BNDES não define critérios individuais de aprovação de crédito, que são de responsabilidade de cada agente financeiro. O repasse de recursos para as instituições financeiras é realizado após a aprovação do crédito, com a apresentação da Nota Fiscal de compra do veículo ao BNDES. As instituições que realizaram operações até agora foram Banco do Brasil, Banrisul, Caixa Econômica Federal, Sicoob, Sicredi, Ailos, GM Financial, Volkswagen Financial Services, Banco Stellantis e Mobilize Financial Services. Além das diversas instituições financeiras já operando, outras ainda estão em processo de implementação do Programa em seus sistemas, com previsão de entrada em breve.

Como carros elétricos e montadoras chinesas redesenham a indústria automotiva brasileira O último Corolla produzido em Indaiatuba (SP) em junho e os primeiros veículos eletrificados que começam a sair da fábrica da GWM em Iracemápolis (SP), na região de Piracicaba (SP), contam uma mesma história: a transformação do mercado automotivo brasileiro. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e um levantamento do g1 apontam que o Brasil não está perdendo fábricas de carros, mas trocando o perfil industrial. Essa tendência, com maior impulso após a pandemia, tem como cenário fábricas deixadas por marcas tradicionais e, muitas vezes, ocupadas por montadoras focadas em eletrificação. Isso ocorreu no interior de São Paulo com a Mercedes-Benz, em Iracemápolis, cuja fábrica foi ocupada pela chinesa GWM. Também ocorreu com a Ford, em Camaçari (BA) e em Horizonte (CE), que deram lugar a investimentos da chinesa BYD e da britânica MG Motor, respectivamente. ⚡Veículos eletrificados incluem modelos híbridos e elétricos, que utilizam eletricidade para reduzir ou substituir o uso de combustíveis fósseis. Novas fabricantes também já anunciaram produção nacional de eletrificados. Veja no infográfico abaixo. Segundo especialista ouvido pelo g1, a tendência é o desenvolvimento de veículos cada vez mais eficientes, tecnológicos e eletrificados, com forte presença da indústria chinesa nessa transformação. Neste contexto, a Anfavea defende medidas para proteger a competitividade dos investimentos feitos pelas montadoras na indústria automotiva nacional para enfrentar o aumento das importações da Ásia. Além disso, a entidade é contra o modelo de montagem de carros que tem sido adotado pelas chinesas (entenda abaixo). Em nota, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que retomou temporariamente cotas de importação por estarem alinhadas a ações de renovação da frota, inovação e descarbonização — clique aqui e leia a nota na íntegra. É #FAKE que Toyota vai deixar o Brasil MG4 Urban chega por R$ 129.990; elétrico será feito no Ceará Nesta reportagem, você vai entender: 🚗 Crescimento do setor automotivo 🐦🔥Transformação inédita 🚪Entrada gradual no mercado brasileiro 🚨Alerta na indústria nacional ✔️Impacto no setor automotivo ❓ O que diz o governo federal? Infográfico mostra onde montadoras encerraram operações e onde decidiram investir Arte/g1 Crescimento do setor automotivo Segundo a Anfavea, a produção nacional de veículos passou de 2,36 milhões de veículos em 2022 para 2,64 milhões em 2025. 📊Apenas no primeiro semestre de 2026, já foram produzidas 1,37 milhão de unidades. Ao mesmo tempo, os carros eletrificados deixaram de ser um nicho para se tornar um dos motores do mercado. Em 2016, o Brasil vendeu pouco mais de mil veículos eletrificados. Dez anos depois, apenas no primeiro semestre de 2026, já foram mais de 215 mil unidades, de acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Infográfico mostra a transformação do mercado automotivo no Brasil Arte/g1 O crescimento dos híbridos e elétricos também redesenhou a fatia do mercado brasileiro de eletrificados ocupada pelas montadoras tradicionais. Em 2022, a japonesa Toyota liderava com folga e concentrava 55,3% das vendas do segmento de eletrificados. Na sequência apareciam montadoras tradicionais e marcas europeias de luxo, como Volvo, BMW, Land Rover e Mercedes-Benz. Quatro anos depois, o cenário é outro. No primeiro semestre de 2026, as chinesas BYD e GWM lideram o mercado — a primeira com 46,08% de participação e 99 mil veículos vendidos. A Toyota caiu para o terceiro lugar, seguida de outras duas chinesas no ranking: Geely e Omoda Jaecoo. Por que o Brasil é atraente para os chineses❓ É um dos maiores mercados automotivos do mundo. A eletrificação ainda está em fase inicial, deixando espaço para modelar o mercado. As barreiras à entrada foram historicamente menores do que em outros mercados desenvolvidos, que têm barreiras protecionistas. Transformação inédita Para o economista da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e especialista em ascensão geopolítica e tecnológica da China, José Eduardo Roselino, a indústria vive uma transformação sem precedentes. "Por 100 anos a indústria automobilística só tinha inovações incrementais, pequenos aperfeiçoamentos que não mudavam a estrutura do automóvel. Isso está mudando agora. Estamos passando por uma transformação ligada à descarbonização e à transição energética, com veículos híbridos, híbridos plug-in, elétricos e outras novas tecnologias surgindo", disse. Segundo ele, o avanço das montadoras chinesas está ligado ao domínio de tecnologias como software, semicondutores e sistemas eletrônicos. "O automóvel está se tornando cada vez mais um computador sobre rodas", resumiu. Além disso, segundo ele, os chineses têm uma vantagem competitiva muito grande porque produzem em enorme escala e conseguem reduzir custos continuamente. LEIA TAMBÉM Venda de carros elétricos no Brasil é três vezes maior em 2026 do que comparada a 2025 Brasil pode voltar a vender mais de 3 milhões de veículos em 2026 após 12 anos, diz Anfavea Governo renova cota para importação de carros elétricos sem imposto; montadoras reclamam Caoa Chery em Jacareí, SP Roosevelt Cássio/ Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos Entrada gradual no Brasil A história do ingresso das montadoras chinesas no mercado brasileiro pode ser dividida em fases. Inicialmente, a partir de 2009, elas eram importadoras de veículos a combustão. Na sequência, a partir de 2014, começaram a instalar fábricas locais. Já na década seguinte que elas passaram a testar a aceitação de modelos eletrificados com os consumidores brasileiros. Para isso, decidiram investir em fábricas ociosas e desenvolver projetos de produção nacional. A estreia de uma montadora chinesa, com fábrica no Brasil, foi a chinesa Chery, em Jacareí (SP), em 2014. A aposta na época era vender carro popular e de baixo custo. Na época, impasses com o sindicato sobre piso salarial dos operários e as vendas que não decolaram frustraram os planos. A unidade acabou desativada em 2022 e a fábrica segue desocupada até hoje. 💰🏭Chery foi pioneira na industrialização dos automóveis chineses no Brasil e a BYD e GWM integram a fase mais recente de expansão. Após a pandemia, gigantes como a BYD e a GWM (Great Wall Motor) entraram no país trazendo um novo conceito por meio de uma combinação de alta tecnologia, design avançado e propulsão elétrica ou híbrida com preços agressivos. Isso fez com que as marcas chinesas ocupassem uma fatia cada vez maior do mercado nacional. Alerta na indústria local Fábrica da BYD em Camaçari (BA) opera em SKD, com parte da montagem feita BYD/Divulgação Enquanto os números indicam crescimento do mercado, o avanço acelerado das marcas chinesas também tem gerado reações da indústria instalada no Brasil. Durante apresentação dos resultados do setor referentes a junho, nesta terça-feira (7), a Anfavea manifestou preocupação especialmente com a velocidade de crescimento das importações chinesas, que passaram de 71 mil para 140 mil unidades em apenas um ano. A Anfavea também critica a expansão dos modelos de montagem por kits semidesmontados, conhecidos como CKD e SKD. Segundo a associação, esse tipo de operação exige cerca de 70% menos mão de obra do que uma fábrica com produção integral. 🔩CKD: veículo chega totalmente desmontado para montagem local. 🏭SKD: veículo chega semidesmontado, com parte da montagem já realizada na origem. Por isso, a Anfavea defende que os novos investimentos sejam direcionados à fabricação completa dos veículos no país — uma forma de proteger não apenas as montadoras, mas também a cadeia de produção. A reivindicação ocorre no momento em que o governo decidiu, a partir de 1º de julho, renovar por 6 meses a alíquota zero de kits de peças importados para veículos elétricos e híbridos - a decisão beneficia a BYD, por exemplo, que opera em SKD. "A nossa preocupação é com o sistema produtivo. Não adianta a gente ter indicativo de que a gente tem que caminhar para uma produção sofisticada e completa, no caso de ter estamparia, montagem, pintura e soldagem no Brasil, e ao mesmo tempo ter incentivos para fazer outra coisa", afirmou o presidente da Anfavea, Igor Calvet. Fábrica da Toyota em Indaiatuba (SP) encerrou as atividades e transferiu produção do Corolla para Sorocaba Divulgação Impacto no setor automotivo Enquanto o setor se transforma, os trabalhadores acompanham o processo com sentimentos mistos. ➡ Diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região e funcionário da Toyota desde a inauguração da unidade de Indaiatuba, em 1998, Derci Jorge Lima descreve a transferência da fábrica como o fim de uma trajetória de quase três décadas. "É uma vida. Vinte e oito anos de trabalho é uma vida. Jamais passava pela nossa cabeça, enquanto trabalhador, enquanto sindicato, que essa empresa ia embora daqui", comentou. Segundo ele, o sindicato tentou mobilizar lideranças políticas e a própria Toyota para reverter a decisão, mas não houve acordo. A negociação passou então a se concentrar nos programas de desligamento e compensações aos funcionários. O dirigente afirma que mais de 4 mil postos de trabalho, entre empregos diretos e indiretos, foram impactados pela saída da montadora de Indaiatuba. Apesar disso, ele avalia que o mercado de trabalho automotivo segue aquecido. Agora, a expectativa do sindicato é que uma nova empresa ocupe a área deixada pela Toyota. "A gente espera que venha outra empresa, até mesmo uma montadora, que possa assumir esse espaço aqui, gerar emprego de novo", afirmou. ➡ Já o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, Weller Pereira Gonçalves, destacou que o Vale do Paraíba tem passado por desafios com as mudanças no setor desde antes da pandemia. "A Ford fechou as portas em Taubaté e [a fábrica] ainda está desativada. A GM, em São José dos Campos, já teve 13 mil funcionários na década de 1990 e atualmente tem 3 mil", disse. A GM anunciou investimentos para a fábrica em São José dos Campos, mas Gonçalves afirmou que isso não necessariamente implica a geração de empregos diretos. "Investimento nem sempre significa emprego. Às vezes traz linha de montagem, mas é automatizada", ponderou. Segundo ele, a defesa do sindicato é pela nacionalização da produção das montadoras no país. Ele também criticou o fato de que as empresas que encerraram operações no país seguem normalmente com importações. "Não defendemos incentivos fiscais para ninguém, mas se tiver, tem que ser justo. Senão, quem sai prejudicado é o trabalhador", afirmou. ➡ Já para o Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari e Região, a chegada da montadora chinesa BYD ao município baiano representou um alívio e uma guinada econômica após o fechamento da Ford, em 2021. Para Júlio Bonfim, presidente do sindicato, o saldo do avanço das montadoras chinesas no Brasil é positivo: "Emprego, dinheiro no bolso, como é que você não fica feliz?", disse. Segundo Bonfim, em cerca de dez meses a BYD contratou 5.500 funcionários — uma marca que a Ford havia levado 5 anos para atingir. Sobre o estado de alerta da Anfavea e a insatisfação de marcas tradicionais, Bonfim disse que é preciso aceitar a nova realidade tecnológica e a forte concorrência que derrubou o preço dos carros. "O mercado mudou. A realidade está acontecendo. Os carros chineses chegaram e chegaram mesmo pesado com tecnologia, qualidade", afirmou. Dados divulgados pela Anfavea mostram que, em junho deste ano, as montadoras empregavam 114,5 mil pessoas. Em janeiro de 2020, antes da pandemia, eram 125,9 mil empregados. O que diz o governo federal? O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços disse que manteve o cronograma de recomposição das tarifas de importação para veículos eletrificados e retomou temporariamente as cotas de importação para promover a renovação da frota, inovação e descarbonização. "A decisão tomada pelo Gecex – Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), composto por 10 ministérios – manteve o cronograma de recomposição tarifária para importação de carros eletrificados, que foi a 35% a partir de 1º de julho de 2026, para modelos CBU e SKD. No caso dos CKDs, a tarifa hoje está em 14% e será elevada a 35% a partir de 1º de janeiro de 2027, também obedecendo o cronograma original. A retomada das cotas por um período limitado de seis meses converge com outras iniciativas do governo federal voltadas à renovação da frota e ao fortalecimento da inovação e da descarbonização no ecossistema automotivo brasileiro, com veículos mais sustentáveis, que contribuem para a redução das emissões de CO2. Há várias iniciativas para o fortalecimento e o desenvolvimento da indústria automotiva no país, sendo a principal delas o programa Mover, que estimula investimentos em inovação e descarbonização, inclusive para fabricação de carros eletrificados. Os incentivos desse programa, da ordem de R$ 19,3 bilhões, já estimularam investimentos privados de R$ 190 bilhões, segundo dados da Anfavea e do Sindipeças." VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias da região no g1 Campinas

Motorista abastece em um posto de gasolina em Los Angeles, nos Estados Unidos. Damian Dovarganes/AP Photo A imprevisibilidade do conflito entre os Estados Unidos e o Irã tem, mais uma vez, se refletido nos preços do petróleo. Com mais uma onda de ataques entre os dois países e a retomada do bloqueio naval ao Irã por parte dos EUA no Estreito de Ormuz— rota por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo —, a commodity voltou a subir em julho: na véspera, o barril do Brent, referência internacional, fechou cotado a US$ 84,23, uma alta de 15,5% no mês até agora. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Mesmo com o avanço nos preços, o petróleo ainda se encontra bem abaixo do pico registrado em abril, quando o Brent atingiu a marca de US$ 118,03. Isso porque, apesar da alta recente, a commodity passou por um período de queda relevante das cotações, chegando a ficar próxima de US$ 70. No Brasil, porém, essa desaceleração não chegou aos preços dos combustíveis nos postos. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que diesel e gasolina ainda acumulam altas de cerca de 10% e 5%, respectivamente, desde o início da guerra, em fevereiro. Agora no g1 Segundo especialistas consultados pelo g1, a demora é resultado de uma combinação de fatores, como as incertezas sobre os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e o subsídio anunciado pelo governo, que ajudou a conter o encarecimento dos combustíveis — e deve limitar, também, a queda dos preços por aqui. “A imprevisibilidade ainda dita os preços do petróleo e, consequentemente, do diesel e da gasolina. Ainda existem muitos pontos sensíveis a serem negociados entre os dois países”, afirma o analista de inteligência de mercado da StoneX, Bruno Cordeiro. Veja abaixo como está a situação dos combustíveis no Brasil. Trégua ainda frágil mantém mercado em alerta Apesar da assinatura de um acordo preliminar em meados de junho para encerrar o conflito no Oriente Médio, a trégua entre os EUA e o Irã foi rompida mais de uma vez. Menos de duas semanas após a assinatura do documento, os dois países voltaram a trocar ataques com mísseis e drones e passaram a se acusar mutuamente de violar o cessar-fogo provisório. Após dias de confrontos, EUA e Irã concordaram em interromper as hostilidades e retomar as negociações. Catar e Paquistão mediaram uma nova rodada de negociações entre os dois países e, segundo representantes, houve um "avanço positivo" nas conversas. Nos últimos dias, no entanto, uma nova onda de ataques entre os dois países voltou a colocar o frágil acordo em xeque. Além dos bombardeios e retaliações de ambas as partes, Trump também retomou o bloqueio naval dos EUA ao Irã no Estreito de Ormuz e ameaçou cobrar um pedágio de 20% sobre a carga de todos os navios que passassem pelo canal — mas voltou atrás e disse que substituiria a taxa por "acordos comerciais e de investimentos com os países do Golfo". Ainda assim, o tráfego ainda limitado no Estreito de Ormuz aumenta as preocupações em relação à oferta de petróleo no mundo. Segundo especialistas, a demanda global continua elevada, impulsionada também pelo verão no Hemisfério Norte. O período é conhecido por registrar níveis mais altos no consumo de energia dos EUA e da Europa. “Vivemos uma queda histórica nos estoques. Tanto a OCDE quanto os EUA apresentam níveis bastante baixos”, diz o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale. “Ainda há muita incerteza sobre o que pode acontecer. Seria necessária uma sinalização concreta do fim definitivo do conflito para iniciar a retirada de minas da região, a reconstrução dos portos destruídos e a retomada das operações. Isso leva tempo”, completa. Petróleo, inflação e bolsas: os estragos econômicos deixados pela guerra entre EUA e Irã Por que gasolina e diesel continuam caros no Brasil Segundo especialistas, o Brasil registrou uma alta mais moderada nos preços dos combustíveis do que a observada nos EUA e em países da Europa. Para reduzir o impacto da alta dos combustíveis sobre a inflação, o governo federal destinou mais de R$ 30 bilhões a medidas de contenção. A Petrobras também atuou para conter os preços nos momentos mais críticos, evitando repassar imediatamente os aumentos aos consumidores. “O aumento não chegou com tanta intensidade ao consumidor final. E, como a alta foi mais moderada, não há espaço para quedas também muito intensas”, afirma Sérgio Vale, da MB Associados. Recentemente, por exemplo, a Petrobras reduziu o preço do diesel nas refinarias em R$ 0,35 após o encerramento do subsídio bancado pelo governo. Como a queda apenas compensou o fim do benefício, os preços praticados para as distribuidoras permaneceram inalterados. Além disso, o governo também adiou a decisão sobre a retirada do subsídio à gasolina, após a nova escalada do conflito no Oriente Médio. Os especialistas dizem, ainda, que mesmo o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina, de 30% para 32%, não deve ser suficiente para provocar uma redução relevante dos preços nos postos. “Esse aumento é importante, mas, por si só, não deve se refletir em uma redução significativa da gasolina. O principal fator que vai determinar a alta ou a queda dos preços é a situação do mercado internacional e a forma como esse movimento se transmite aos produtos importados que chegam aos portos brasileiros”, completa Cordeiro. O que precisa acontecer para a gasolina cair no Brasil O que precisa acontecer para a gasolina cair no Brasil. Arte/g1








